Assine e receba a edição em casa

Vídeo Institucional

Cuiabá, Março de 2019

Expediente Login
Almanaque Cuiabá

Para Silva Freire, o sentido de Obra (mesmo aberta) já era

O autor não se preocupava com a continuidade temática (sucessão linear) como semântica lógico-discursiva, chegando mesmo à posição radical de desprezar o sentido de estrutura e, consequentemente, o de Obra.

Tamanho do Texto A+ A-

Isso porque numa explosão estrutura lista o sentido de lógica narrativa geralmente é conseguido por falhas na estrutura que tem como complementação a reparação dessas mesmas falhas, como equilíbrio.

Essas "mesmas" falhas é que formavam a lógica, a unidade da história. Assim, na narrativa tradicional, as falhas (morais, econômicas e sociais) são reparadas no fim, como uma espécie de conclusão, e até mesmo de pagamento pelo sofrimento do personagem principal. É a moça pobre casando com o príncipe, para a estabilidade emocional do leitor. Uma espécie de objetividade da informação em justificativa de detalhes que lhe dá um ar de veracidade, em substituição à autenticidade criativa.

Numa novela o texto não tem autonomia pela mesma razão de que o consumidor não tem opções de leitura. Por uma série de fraquezas o discursivo sempre tem necessidade de se impor.

Em SILVA FREIRE o rigor dos vocábulos, independente  do conteúdo, se organiza no espaço conseguindo um dinamismo (condensação ótica) e uma tensão semântica (núcleo de significados) em condição de desprezar a lógica poética tradicional, para adquirir, se não uma autonomia de textos visuais, pelo menos de blocos de múltiplas e simultâneas direções de leitura: física das palavras. A densidade do rigor vocabular conseguida, visualiza a intencionalidade ao articular uma sintaxe insólita, cada vez mais densa, que faz desses blocos engrenagens de palavras em sequência móvel de aproximações. Vale dizer, da multiplicidade da continuidade: horizontal (probabilidade da língua) e a dimensão vertical (linguagem lugar geométrico). Essa identidade  formal, pioneira, é que tem causado certa confusão com uma constante de estilo.

Ao destruir o sentido de obra desaparece, de maneira dupla, o estilo. Numa montagem de palavras desdobráveis, que é mais do que simples estilhaços ou acidentes tipográficos, o poeta propõe funções. As linhas/colunas de seus poemas experimentais adquirem valores e possibilidades próprias que não podem ser chamadas de versos. São vocábulos giratórios como uma estrutura de átomo.

Dele já se pode dizer: não mais o poema expressando objetos, mas o próprio poema sendo usado como objeto versátil. É quando o espaço perde o sentido de representação para ganhar a funcionalidade. Esse sentido construtivo é que nos oferece opções em lugar de hipóteses metafísicas.

Com isso queremos dizer que o poeta ao desprezar as conexões gramaticais, passa a utilizar do espaço em branco não como mero suporte das letras, mas de direções e ligações permutáveis. Assim é que a leitura de seus poemas se faz em invenção de direções dando oportunidades criativas de leituras para o consumidor, diferente da tradicional opção metafísica da interpretação. Seus poemas encerram o ciclo modernista em Mato Grosso e começa a estabelecer base para um novo rumo de nossa cultura.

Particularizando: o poema, CAMPUS DE UNIVERSIDADE, ao ser dedicado para Gabriel Novis Neves, passa a esse Reitor, como um documento histórico, a responsabilidade da consciência (a idealidade em nível universitário) e a mentalidade criativa de toda a juventude matogrossense. É que hoje não existe mais barreira entre gêneros. O que separa, nos dias atuais, um poema de uma pintura? Hoje, superado o sentido definitivo de obra acabada (estilo mais verso), e a separação de géneros, o poeta não é quem escreve poemas, mas o que proporciona ACONTECIMENTOS (HEPPENINGS).

VOLTAR AO TOPO

    Compartilhe

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter