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Cuiabá, Dezembro de 2019

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Almanaque Cuiabá

I vem água

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I vem água, de Ivens Sacaff

A cuiabanada diz: i vem água
São Pedro sustenta: lá vai água
O céu está tudo escuro
feito 'porpa' de pitomba

É bom procurar onde se abrigar
que o pé d'água vai ser de arrasar
Minha Santa Bárbara, viche
Maria, não vai sobrar plantação de maxixe

Tapa o espelho, pode crer 
pro relâmpago se perder

Pega a panela, o balde, siscriança
de todo tamanho e quilate
que a goteirada é disparate

Meu Deus, essa trovoada
é uma boiada desembestada

Rio encher
Deixa de besteira
Só se chover na cabeceira

Estão caindo casas de adobe
do Areão e do Araés
Dizem que no CPA
voaram os telhados de lá

Transborda o Bufante
'tini' de cheio o Mané Pinto
Regurgita tudo que é córgo
e continua o relampeio

Se enganaram as lavadeiras
não é hora de voar
O céu vem inteiro abaixo
O pé d'água vai continuar

Cada fuzilo! Cada fuzilo!

Magnificat!

É chuva pra três dias, gente
É chuva de antigamente

No escurinho do quarto
deito, me rebuço feliz
O borrifo desta chuva
faz cócegas no meu nariz

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