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Cuiabá, Maio de 2020

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Almanaque Cuiabá

Os três garrafões de ouro

Qual não foi o seu espanto, ao encontrar a sala de entrada com o piso removido e bem no centro uma escavação....

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Mal se apagavam da lembrança os fatos sombrios que enodoaram a nossa história, pelos idos de 1834, com o assassinato de vários adotivos e saque dos seus bens, clandestinamente foram aparecendo, alguns mais ousados e apressados em arrebanhar os despojos de suas fortunas.

Aqueles, sobre os quais pesava ordem de prisão ou extradição, não se mostrando tão desenvoltos, como os primeiros, enviavam emissários, guardadores dos segredos locais, no afobamento da retirada, haviam escondido os seus pertences valiosos.

Embora não pairasse mais, ameaçadora, a sombra de Poupino Caldas, morto de modo traiçoeiro por uma bala de prata, a falta de segurança pública, a timidez natural do povo cuiabano restringiram o movimento da cidade, principalmente na calada da noite. A Rusga, acenando com a visão tétrica de uma noite de terror para os Bicudos, o rumor de quebra-quebra, saques, a figura pálida e autoritária do bispo D. José empunhando um crucifixo para conter a sanha da rebelião, estava bem viva na memória dos que a presenciaram, mesmo sem dela participar.

Quando o homem desconhecido se abeirou do proprietário do casarão da rua do Campo, com os seus oito janelões de treliça e propôs aluguel do imóvel, pagando, de entrada, três meses adiantado, todo o mundo ficou de orelha em pé. E, quase derrubou o queixo dos abelhudos quando, ao findar três dias, deu no pé, sumindo por esse mundo de Cristo, levando um burro de montaria e outro de carga, tão alquebrado ao peso de um fardo que mal podia andar.

Como os dias se passaram sem que o misterioso inquilino aparecesse, o senhorio foi arejar a casa, abrindo alguns compartimentos. Qual não foi o seu espanto, ao encontrar a sala de entrada com o piso removido e bem no centro uma escavação, mais ou menos profunda, na qual se delineava o contorno de três garrafões, desses que nas usinas se usavam para engarrafar pinga.

Correu de boca em boca, que os ditos continham ouro puro. Teriam sido enterrados às presas, na noite da Rusga e o segredo trocado por uma tropa, pelo Bicudo fugitivo com a família, que fora embicar nesse posseiro morador na estrada velha do Goiás.

 

NOTA: Do livro Lendas de Mato Grosso/Dunga Rodrigues -  Beaurepaire Rohan - Anais de Mato Grosso. Está lenda é de tradição popular.
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