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Cuiabá, Maio de 2020

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Almanaque Cuiabá

Os Ponce vem aí

Dizem, que até hoje, nesse local, quando noite de lua cheia, vê-se uma bola vermelha no céu correr....

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Ferviam as intrigas políticas, boatos alarmantes, se avolumando a cada quilômetro percorrido, de usina, de sítio em sítio, onde se encurralavam os maiores redutos dos proprietários dos rivais políticos Ponces e Paes de Barros. E, era justamente na região ribeirinha, onde o segundo tinha propriedades, que os ânimos se mostraram mais exaltados.

Era assunto geral, que atingia até os subordinados que, naquele tempo continuavam jungidos aos engenhos, recebendo, segundo contam, pouca paga e muito castigo corporal. No ano de 1906, quando estourou a revolução, havia debates partidários, mesmo entre os empregados da Casa Grande, fantasiando, cada qual, o seu candidato de qualidades sobrenaturais e de defeitos cruéis, conforme um ou outro se tornasse o orago, ou o rival. Assim para os partidários de Ponce, este representava o Anjo Gabriel, com sua espada de fogo, dominando o seu adversário, premiando os bons e castigando os maus. E vice-versa.

Aconteceu num destes sítios, reduto dos patriotas de Totó Paes, mas onde havia chegado a imagem falada do Ponce, coberto de uma auréola de bondade, Ter sido castigada rudemente, uma negrinha, que sempre se destacou das demais pelo seu temperamento rebelde e audaz. Ela havia sido surrada por qualquer falta cometida. Revoltada, corria pelo terreiro da frente, gritando: "Ponce vem aí!". Seu patrão, adepto inconteste de Totó Paes, não suportando a afronta, mandou que lhe embebessem as vestes de querosene e lhe pusessem fogo.

Dizem, que era apenas para amedrontá-la, mas, o fogo pegou rápido, estimulado pelo vento que começou a soprar, enquanto, mesmo sentindo arder-lhe as carnes via-se, corpo em chamas, continuar correndo e gritando sempre a mesma frase: "Ponce vem aí!".

Quando conseguiram detê-la, havia só um monte de cinzas. Vestes e corpo. Dizem, que até hoje, nesse local, quando noite de lua cheia, vê-se uma bola vermelha no céu correr o espaço de ponta a ponta, enquanto uma voz fluida como um eco, repete o mesmo chavão: "Ponce vem aí!".

 

NOTA: Do livro Lendas de Mato Grosso/Dunga Rodrigues - Obtida na Usina de Itaicy.
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