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Cuiabá, Maio de 2020

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Almanaque Cuiabá

História Também é Exemplo

O primeiro médico de Cuiabá foi Antonio Pinto da Fonseca. “Era cirurgião aprovado e assistente nas Minas de Cuyabá desde o ano de 1726 exercitando a sua Arte com muita aceitação de todos e bons sucessos nas boas curas que faz, e sendo o único cirurgião até o ano de 1732.

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Querendo Pinto da Fonseca ir para Lisboa, de onde era natural, dar Estado a uma Irmã donzela, foi impedido pela Câmara de Cuyabá, a requerimento do Povo para que o suplicante ficasse nas ditas minas pela grande necessidade e falta de curativo que dele se tinha. Lembra ainda a petição que o suplicante serviu nas duas armadas contra o gentio paiaguá. E o médico Antonio Pinto da Fonseca ficou em Cuyabá.”

Hoje vivemos uma situação semelhante, embora muito mais simples de ser resolvida. Leio nos jornais que o nosso Secretário Municipal, o Luizinho da nossa querida FMEU (Federação Matogrossense de Esporte Universitário), apresentou uma proposta concreta para de imediato revolvermos o problema de reposição de leitos hospitalares que perdemos nos últimos anos. Afirma o Luizinho que o governo do estado alugaria por alguns meses o Hospital Neurológico que se encontra fechado e equipado para prontamente receber quarenta crianças com dengue. 

Discordo de alugar. O correto é comprar. Não entraria dinheiro do estado e os compromissos do hospital seriam negociados pelos hábeis empresários do governo a médio e longo prazo. É uma titica em comparação aos inúmeros projetos inúteis que vemos por aí. O estado teria muito mais facilidade e gente qualificada em acertar a parte financeira do negócio e não seria o primeiro caso em Cuiabá de compra de hospitais. Recentemente todos se lembram da aquisição pelo estado dos hospitais São Tomé e Modelo. Acontece que estes hospitais adquiridos pelo governo e que atendiam pacientes agora, inexplicavelmente, não atendem mais. 

Se em 1732 o povo de Cuyabá não deixou o médico português abandonar a cidade, como é que hoje vamos abandonar os nossos enfermos? A dengue aqui está matando. Os hospitais emagrecidos pela perda dos leitos oferecem um quadro desumano a gente de Cuiabá. Por que não sigamos o exemplo histórico dos nossos fundadores? Onde estão os nossos políticos, a nossa Câmara Municipal, os bens subsidiados movimentos sociais, o grupo de combate à corrupção – pois, deixar uma criança morrer por falta de socorro médico é a maior das corrupções -, as igrejas, os defensores dos bandidos, digo, dos direitos humanos, os conselhos protetores das crianças e dos idosos, os intelectuais, os representantes da cuiabania do chá com bolo, o grupo do senadinho, a associação de proteção aos animais? Tudo que citei é fantasia? Não, é a mais pura e cruel realidade. Ninguém se movimentou até agora para salvar vidas. Se não temos coragem e dignidade, vamos pedir com humildade ao MST para colocar já em funcionamento o Hospital Neurológico.
Não podemos trair a nossa história.

 

postado por Gabriel Novis Neves, em 2009

 

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