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Cuiabá, Maio de 2020

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Almanaque Cuiabá

Dois de abril

Para a maioria da população desta grande metrópole o dia dois de abril é apenas o dia seguinte ao dia da peta. Peta para quem não sabe, é mentira.

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No Brasil são tantas as mentiras, especialmente as oficiais, que foi criado o dia da peta em homenagem à mentira. O movimento no comércio é enorme, pois sempre temos um mentiroso, ou mentirosos, que merecem ser lembrados com um "presentinho", de mentira. Relógios, pulseiras, anéis, jóias, tênis, tudo falsificado no crescente e produtivo comércio internacional. Possuo um relógio de pulso muito admirado pelos que o conhecem. Ganhei de um amigo que foi à China e comprou um legítimo suíço chinês de vinte dólares. O ômega suíço é de mentira. 

Mas o dia dois de abril é um dia histórico para Cuiabá. Marca o nascimento de uma das maiores personalidades deste estado. Religioso, político, poeta, escritor, compositor, grande orador, embaixador do Brasil, ex-governador do estado, fundador da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, arcebispo metropolitano aos vinte e sete anos, primeiro mato-grossense a pertencer à Academia Brasileira de Letras. 

É o autor da letra do Hino de Mato Grosso, indispensável nas solenidades oficiais. Só de direitos autorais que nunca recebeu, pois o Hino é patrimônio da nossa gente, teria condições de manter a Arquidiocese de Cuiabá e a Santa Casa da Misericórdia que tanto admirava. 

Dom Aquino Correa não é mais lembrado pela sua gente. Mesmo com um pé na cozinha, como se intitulava o sábio presidente-professor, Dom Aquino não tinha o perfil dos responsáveis pela quebra da economia mundial, na visão do atual Presidente da República - grande estadista e especialista em morfologia humana. 

No ano passado a nossa referência cultural, ética e religiosa, juntamente com outro herói de Mimoso, na data do seu nascimento, aparecia pela cidade em imensos e inúmeros outdoors com um político recém-falecido para promover a missa de trigésimo dia. Foi chamado na ocasião de estadista. Muitos me perguntaram quem era o D. Aquino e o Marechal Rondon. O político, todos ainda se lembravam dele. Registro este fato - do nascimento do poeta que muito bem poderia receber o título de Doutor Honoris Causa In-Memorian da Universidade Federal de Mato Grosso - pelos relevantes serviços prestados a Mato Grosso e ao Brasil. 

A cidade de duzentos e noventa anos, fundada por Pascoal Moreira Cabral, tem história.

Não podemos jogá-la no lixo e entupir as nossas pontes, ruas, avenidas, estradas e prédios públicos com corpos estranhos à nossa Cuiabá. Conhecemos seu povo pela sua história. Oportunismos nos deixam deformados na fotografia. Dois de abril é a data de nascimento de Dom Francisco de Aquino Correa. E a crueldade com o estadista do ano passado é que a própria Igreja parece também que o esqueceu. Os jornais hoje falam do cacique Aritana que foi convidado para divertir autoridades em visita à Cuiabá. Desta vez esqueceram-se do pessoal do Cururu e Siriri. “Um país se faz com homens e livros”.

Este é o perfil do esquecido aniversariante de dois de abril.

 

postado por Gabriel Novis Neves, em 2008
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