Assine e receba a edição em casa

Vídeo Institucional

Cuiabá, Maio de 2020

Expediente Login
Almanaque Cuiabá

Castigo Divino

A jurisdição do capitão-general Rodrigo César de Meneses foi lembrada em nossa história, como um período de arrecadações para o erário real, tão escorchantes para época, feitas à custa do suor e do sofrimento do povo.

Tamanho do Texto A+ A-

As ventosas fiscais era freqüentes e volumosas para um arraial, elevado recentemente à categoria de vila e que ainda contava apenas com nove casas de telhas, ao redor das quais se aglomeravam alguns ranchos de palha, que na febre do ouro, eram disputados até por 500 oitavas as menores, e por 700, as de maior número de compartimentos.

As remessas dos quintos para a Fazenda Real eram feitas em cunhetes devidamente pregados e lacrados, em grande caixas, entregues a um mensageiro de confiança, que, por sua vez deveria depositar a preciosa carga nas mãos de outro provedor, em São Paulo, donde então a valiosa remessa era encaminhada para Lisboa. Pelos idos de 1727, o provedor Jacinto Barbosa Lopes entregou ao padre André dos Santos Queiroz, em Cuiabá, três caixões numerados.

O primeiro continha 4.608 oitavas. O seguindo, 4.608 oitavas também e o terceiro continha 5.047 oitavas de ouro. A esta carga adicionaram-se tantas oitavas provenientes do Paranapanema. Também se reuniram a estas, a remessa anterior de Cuiabá, entregue em São Paulo, pelo tenente-coronel João Antunes Maciel e que constava de quatro arrobas e setecentas oitavas de ouro. A tudo isto acresciam alguns folhetos para a Sua Majestade, com a recomendação expressa de não convertê-los em ouro em pó.

Depois de uma breve parada na capital paulista, sob o domínio de Antônio da Silva Caldeira Pimentel, seguiu este volumoso fardo dos quintos de El-rei com destino a Lisboa. Lá D. João V, perante o volume de riqueza da encomenda, houve por bem dar um realce especial abertura dos cunhetes cuiabanos, promovendo verdadeiro cerimonial, diante da Corte reunida, devidamente paramentada, como para um ato solene.

Qual não foi a surpresa, quando, vista do cortejo palaciano, entre rendas, veludos e altos coturnos, os cunhetes, ao invés de reluzirem como o sol do novo mundo, se apresentaram cinzentos e sinistros, transformados em chumbo de munição, estarrecendo a luzida assistência. Coisa estranha e inexplicável, os pesos conferiam com as guias de remessa e não havia sinal algum de avaria; os lacres perfeitos ali estavam as preciosas arrobas transmudadas.

Inconformado com o ludibrio, o Rei ordenou devassa contra os responsáveis. Rigoroso inquérito foi instaurado e o primeiro a cair nas redes da justiça foi Sebastião Fernandes do Rego, cujas falcatruas segundo Afonso de Taunay, foram tremendas, além de acusador e cúmplice na morte dos irmão Leme. Foi preso no calabouço de Barra Grande, em Santos, mas astucioso e matreiro, conseguiu sua liberdade e recuperação dos seus bens, já arrolados para serem confiscados. Tentou ainda incriminar o provedor Jacinto Lopes e Rodrigo César, mas o mestre fundidor, Francisco Ribeiro descobriu, por acaso, que a chave fornecida por Sebastião Fernandes abria as fechaduras do cofre, onde eram guardadas cuidadosamente as barras de ouro. Reconstituída passo a passo a ladroeira, descobriu-se pessoalmente este fato.

 

NOTA: Do livro Lendas de Mato Grosso/Dunga Rodrigues - Os dados foram colhidos nos anais do Senado da Câmara - Crônicas de Cuiabá - Anos de 1727 - 1728. E em notas de Toledo Piza. NOTA: - Este relato teve como fonte - História de Mato Grosso de Virgílio Corrêa Filho - Instituto Nacional do Livro. 
VOLTAR AO TOPO

    Compartilhe

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter