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Cuiabá, Maio de 2020

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Almanaque Cuiabá

A Serra dos Martírios

Desnecessário dizer que a legendária Serra dos Martírios estava sempre acenando, com a abundância de ouro, facilmente encontrado a flor da terra, para a cobiça dos homens.

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Bartolomeu Bueno, o Anhanguera, guardou a imagem feérica de uma região que visitara em companhia de seu pai em 1670, ainda adolescente e quando se divertia a colher de pedra roliças de ouro bruto para brincar com elas. Antônio Pires de Campos, seu contemporâneo, partilhou dessa brincadeira, pois ambos participaram da expedição na qual também vinha Manuel Paes Bicudo.

Quarenta anos se passaram, ei-lo a perseguir como um visionário, a região aurífera que se lhe imprimiu nos olhos de adolescente, com todo esplendor de um panorama fabuloso. Vasculhou os sertões por três anos e dois meses sem poder acertar com a paragem que buscava, por haver tantos anos que tinha visto. Daí, então, outras diligências se aventuraram para atingir as minas dos Martírios, assim chamadas pelas aparências de cravo, cruz, coroa e lança, e mais símbolos característicos do flagelo de Cristo.

Houve uma expedição que se dizimou às margens de um afluente do rio Araguaia, que, por isto, foi estigmatizado com o nome de Rio das Mortes. Enquanto outros aventureiros palmilhavam a trilha de Bartolomeu traçou de S. Paulo, via Goiás, outros seguiam caminho aberto, de Cuiabá a Goiás, pelo sertanista Antônio Pinho de Azevedo, desde 1736.

Desnecessário dizer que a legendária Serra dos Martírios estava sempre acenando, com a abundância de ouro, facilmente encontrado a flor da terra, para a cobiça dos homens.

Em 1897, parte de Cuiabá uma expedição sob o comando do tenente-coronel Francisco de Paula Castro, com a finalidade oficial de explorar os vales do rio das Mortes e do Xingu. De 14 de junho, quando partiram, só no mês seguinte alcançaram o pouso de Finca-faca, um dia de viagem de Lagoa Comprida. Neste local houve confabulações com o chefe dos Bacairis, que o persuadiu a tomar um caminho mais próximo às minas dos Martírios, do que procurando as cabeceiras dos rios Casca e Farto, conforme roteiro conhecido. Disse o Bacairi que todos os moradores do Xingu conheciam a Tapera do Anhanguera.

A expedição tomou novo guia e partiu por caminhos ínvios de muitos altos e baixos, até a data de 11 de agosto. Às margens do rio Coliseu disseram que as montanhas à vista, à margem direita do mesmo rio, davam acesso ao alvo tão custo perseguido. A quantidade de quartzo na região e algumas faíscas de ouro à margem do rio faziam acreditar na proximidade de fontes mais ricas. A chegada no local, entretanto, foi a mais dura provação. Os índios chamavam de Tapera do Anhanguera a uma abertura embaixo de uma serra que margeia um ribeirão afluente da margem direita do Coliseu que a expedição denominou de 15 de agosto. No solo desta abertura encontram unicamente panelas de barro e outros objetos da mesma argila, além de alguns esqueletos. Aquilo parecia Ter sido um cemitérios de índios.

Os acompanhantes do tenente-coronel não se deram por vencidos. Eles acreditaram estar, realmente, diante da lendária Tapera; mas conforme a lenda, o ouro havia-se transformado em ossos de defuntos, porque havia, na comitiva, homens que só pensavam em se enriquecer. Se o metal fosse acessível, eles se tornariam bandidos e assassinos da pior espécie. Por isso Deus operava aquela metamorfose.

 

NOTA: Do livro Lendas de Mato Grosso/Dunga Rodrigues - Estes dados foram colhidos nos seguintes trabalhos: 1. Limites Orientais de Mato Grosso, do Dr. João Barbosa de Faria - Ver. Do Instituto Histórico de Mato Groso. Vol. III (ano de 1920) 2. Relatório da Expedição Paula Castro - Revista do Instituto Histórico de Mato Grosso - Tomos XXXIX e XL (1938).
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