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Cuiabá, Maio de 2020

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Almanaque Cuiabá

A Porca dos Sete Leitões

Essa mulherada que mata filho antes de nascer, ou injeita anjinho depois que nasce, mulheres desavergonhadas, que desmoralizam a classe, Deus castiga sem piedade.

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Parece mentira, mas há muita lambisgóia que num qué tê trabalho. Sirigaita, regateira, repudiam o papel de mãe, então, depois de mortas, Deus Nosso Sinhô vira elas bicho mais horroroso do mundo.

Era assim que Ozébia explicava a origem da porca dos sete leitões, que, alta noite, escarreirava os que se aproximassem do Tanque dos Bugres, ali bem no começo do Lavra-Pau. Assim se chamava aquele trecho da rua 13 de junho, por que toda a área se erguem os vários departamentos de Comissão de Estrada de Rodagem, constituía uma depressão de uns dois ou três metros de profundidade, formando no centro uma grande lagoa, que raramente secava de todo, durante o estio.

Ao redor, frondosas goiabeiras, pés de marmelo e de cascudo, tornavam o local convidativo para se acamparem hordas de índios bororós, que visitavam periodicamente a cidade, em caráter pacífico, bem entendido. Á noite, diziam os que por ali passavam, era comum, à proximidade do local, serem seguidos por uma porca feroz acompanhada de sete reluzentes leitõezinhos, perseguidores também dos retardatários.

Afirmavam os que diziam Ter visto a aparição, que frio na alma os invadia, sintoma de grande medo. Mas os incréus, no dizer popular, atribuíam a mudança de temperatura à umidade constante no local.

 

NOTA: Do livro Lendas de Mato Grosso/Dunga Rodrigues
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