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Cuiabá, Maio de 2020

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Almanaque Cuiabá

A Imagem do Senhor Bom Jesus de Cuiabá

Trouxeram-na em caixão fechado até o porto geral, aonde fora encontrá-la uma procissão, levando-a até à Matriz.

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Os dados históricos informam que a igreja do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, hoje Catedral e Basílica Menor, foi construída em 1722, pôr Jacinto Barbosa Lopes, três anos depois da fundação do Arraial, com a eleição de Pascoal Moreira Cabral para Guarda-Mor Regente. E a primeira missa foi celebrada pôr Frei Pacífico dos Anjos.

Acerca da imagem, nela venerada, conta-se o seguinte: foi encontrada na ilha de Manoel Homem, abaixo da confluência dos rios Verde e Aguapé, a duzentos e vinte e cinco léguas aproximadamente, distante de Cuiabá. Manoel Homem o nome de um criminoso foragido pelo sertão, tendo ele próprio encontrado a imagem. Para abrigá-la construiu um rancho tosco de palha. Porém, o lugar onde a recambiara tornou-se muito movimentado, com a passagem de viajantes, e pôr temor à justiça embarafustou-se mata a dentro, deixando lá a imagem. Um comerciante, que de Cuiabá se dirigia a São Paulo, tentou levar a imagem consigo, mas não houve força capaz de removê-la.

Mais tarde, em viagem inversa outro caminheiro conseguiu trazê-la para Cuiabá. Ostros dados históricos informam que o Senado da Câmara, tendo conhecimento do achado, nomeou uma comissão para trazê-la de Camapuã, onde se encontrava. Fabricada em Sorocaba, pelas mãos de uma mulher, fora de lá trazida pôr Pedro Morais, nos primeiros anos do descobrimento destas minas. Por dificuldades, não podendo carregá-la até aqui, deixou-a num rancho , no lugar chamado Guarapiranga. Para buscá-la, organizou uma expedição de vinte e cinco homens, ocupando três canoas e sob a chefia do capitão Domingos Barbosa. Trouxeram-na em caixão fechado até o porto geral, aonde fora encontrá-la uma procissão, levando-a até à Matriz.

Acrescentam que, na ocasião, pregou o frei José Angola. Durante quatro dias comemoraram o fato, com representação de duas comédias, banquetes e fogos. As festas foram custeadas pôr pessoas importantes, principalmente belas burras de Sampaio Couto e Antônio Corrêa de Oliveira. Dizem que após colocada na Matriz, ainda coberta de palha, a imagem desapareceu duas vezes, voltando para Camapuã. Foi quando a população fez votos de construir uma igreja decente, coberta de telha, no mesmo local onde até hoje é venerada. Esta igreja foi destruída à dinamite, há poucos anos atrás, e os seus altares, com entalhes a ouro e fogo, retirados da nova Catedral, construída nas linhas modernas. O povo assistiu, de braços cruzados, delapidação do seu patrimônio artístico.

 

NOTA: Do livro Lendas de Mato Grosso/Dunga Rodrigues - Dados colhidos em "Irmandade do Senhor Jesus de Cuiabá", da autoria de Firmo José Rodrigues, do Instituto Histórico de Mato Grosso e publicado em seu livro "Figuras e Coisas de Nossa Terra" 2º Volume.
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