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Cuiabá, Junho de 2019

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Almanaque Cuiabá

Roberti e Carlis

Foi ainda no governo de Júlio Campos (15 de março de 1983 a 15 de maio de 1986), quando a Companhia de Desenvolvimento de Mato Grosso – Codemat continuadamente enviava equipes de topografia para demarcar lotes de terras nos sertões do Estado para serem doadas aos sulistas, no grande projeto de colonização de sua administração.

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As pequenas cidades iam surgindo no meio da floresta, assim como o agitado movimento comercial com tanta gente chegando a Mato Grosso. Dizia-se à época, em tom de brincadeira, que uma cidade em Mato Grosso só se desenvolvia se tivesse uma agência do Bradesco, uma filial das Casas Pernambucanas, uma serraria e uma zona...

Lembro-me de um sábado, quando nossa equipe estava hospedada em uma modesta pensão de um gaúcho, numa cidadezinha do nortão quando fomos surpreendidos por um som de alto falante na rua, que convidava o povo para assistir no pequeno circo instalado naquela na vila um show de “Roberti e Carlis”.

O dono do circo era um russo e também o próprio locutor do carro de som. Sua pronúncia em português era indecifrável! Por isso, o povo entendia que era Roberto Carlos que ia dar o show naquela noite...

Surpresos com aquele anúncio, o nosso pessoal que prestava serviços para a Codemat, com um pé atrás, especulava: como Roberto Carlos apresentando-se numa espelunca de circo aqui neste fim de mundo!

Logo o gaúcho dono da pensão, entrou na conversa dos hóspedes e comentou: “Aqui na região tem coisa que nos surpreende...” – referindo-se a um fato ocorrido no garimpo de Alta Floresta, onde um garimpeiro já havia bancado por duas vezes a vinda de Milionário e José Rico e de outros artistas famosos para dar shows na cidade.

Retrucou um baixinho que ouvia a conversa: “Éh!... Talvez o Roberto Carlos esteja aproveitando algum retorno, vindo de algum show de uma cidade grande!...”

Gaúcho animou o pessoal: “O circo não é tão ruim, assim. Lá tem a apresentação de uma trapezista muito linda, que é a mulher do russo...”

No domingo a noite, todo mundo, incluindo nossa turma, naturalmente, foi ao circo!

E lá ficamos a espera do prometido espetáculo, quando de repente surge em cena no picadeiro um barulhento palhaço, tocando tambor e ao mesmo tempo o trumpete, além de pandeiro e guizos. E quem era o palhaço? – O Russo, dono do circo.

Só me alegrei, quando do aparecimento da lindíssima trapezista, uma super loira de olhos azuis. Aquela visão já compensou o espetáculo, mas mesmo assim estávamos ansiosos para ver o final das atrações do circo.

De repente, o mesmo russo, que era de fato o “coringa” do circo, anunciou com aquele sotaque peculiar de “russoportuguês” a próxima e última atração!

– Agora com vocês, o grande show, anunciado a semana toda. O “Circo Balalaika” apresenta com orgulho “Roberti e Carli”.

E para a nossa surpresa, surge no picadeiro dois violeiros: uma dupla formada por Roberto e Carlos...

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