Assine e receba a edição em casa

Vídeo Institucional

Cuiabá, Janeiro de 2019

Expediente Login
Almanaque Cuiabá

O Lobisomem de Nossa Senhora da Guia

Era comum nas noites de lua cheia, quando se aproximava da meia noite, a comunidade fechar as portas de suas casas com tramelas, tremendo de medo ao ouvirem o tropel de cachorros latindo nas ruas, pois diziam que estavam perseguindo o lobisomem.

Tamanho do Texto A+ A-

No vilarejo de Nossa Senhora da Guia, nos anos 30, não havia iluminação nas ruas e nas casas era comum o uso de lamparinas e candeeiros, que proporcionavam um clima sinistro, principalmente nas noites escuras, quando os moradores sentavam à porta das suas habitações para contar “causos” de assombração.

Naquela mesma localidade existia um pobre homem cujo apelido era “Dito Lobisome”. Caboclo mal acabado, para não dizer “feio”, sujeito esquisito mesmo, não gostava de falar e chegava a ser temperamental, talvez pela sua própria aparência. Olhar para ele e esboçar um leve sorriso já era o bastante para uma discórdia.

A molecada abusava de “Dito Lobisome” e o perseguia em bandos pelas ruas. De vez em quando, um deles se agachava no meio do grupo grupo e gritava: “Olha o Dito Lobisome”. O coitado morria de ódio, tentando localizar o autor do gracejo, que não aparecia. E a turma toda dava gargalhadas, chegando ao delírio, vendo o pobre diabo desesperado.

Apesar de tudo, o “Dito” era um bom lenhador e estava sempre disposto a servir a quem quer que seja na vila, naqueles velhos tempos do fogão a lenha. Pelo menos até que ninguém proferisse seu apelido...

Contudo, o povo da vila tinha lá um certo preconceito contra o homem. Diziam as más línguas que de vez em quando ele desaparecia nas matas da redondeza e também que ainda se alimentava de animais silvestres até mesmo em estado cru, pois suas roupas “mulambentas” sempre estavam sujas de sangue.

Outra coisa que diziam de “Dito Lobisome”:até os cachorros fugiam de sua presença. “Xa Inês”, a benzedeira da Guia, jurava de “pé junto” que esse tal de “Dito” era mesmo lobisomem e até aconselhava a meninada a não perturbá-lo, pois ele poderia se vingar.

Um certo cidadão, morador da comunidade, após ter usufruído por muito tempo dos serviços do “Dito Lobisome”, através da compra de suas lenhas, tinha acumulado uma dívida considerável e nunca tinha dinheiro para saldá-la e por várias vezes entrou em conflito com o lenhador.

Por uma certa coincidência, este mesmo cidadão, quando transitava numa daquelas noites por uma rua do vilarejo, surpreendeu-se com o bando de cães vindo em sua direção em perseguição a um imenso “cachorro”. Não pestanejou! Sacou sua arma e disparou vários tiros contra a tal “coisa”, e apavorado fugiu em disparada para casa.

Na manhã seguinte, bem cedo, o cidadão compareceu a Delegacia de Polícia, relatando sua “história” ao delegado, que imediatamente foi até o local e lá estava sobre a poça de sangue todo perfurado de balas o coitado do Dito Lobisomem.

VOLTAR AO TOPO

    Compartilhe

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter