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Cuiabá, Janeiro de 2019

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Almanaque Cuiabá

O Barbeiro da Rua dos Porcos

Como dizia o nosso inesquecível jornalista Alves de Oliveira “A cidade vive dos que vivem nela”. Leia esta fábula que ocorreu em nossa cidade:

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Sabemos que todas as cidades antigas estão ligadas a história do seu povo. Cada rua, cada praça, certamente lembra algum fato que está relacionado a alguma pessoa.

Pode ser até um personagem não importante na aristocracia social. Um João Ninguém, ou um simples e simpático mendigo, que no dia a dia está sempre ali naquele mesmo lugar, fazendo parte da paisagem da cidade.

A nossa querida Cuiabá é uma dessas cidades. Em cada rua, e em cada beco, ainda se vê fantasmas: do General Saco, Antonio Peteté, Maria Taquara, Zé Bolo Flô, Milton Cabecinha, entre outras figuras que se personificaram na nossa mente e fazem parte do nosso passado maravilhoso de criança/adolescente.

Este ligeiro preâmbulo é apenas um artifício que criei para contar uma história de um personagem que viveu na antiga “Rua dos Porcos”, hoje Rua Antonio João.

Serafim era um barbeiro muito querido e conhecido pelos cuiabanos, porém dada a sua avançada idade, já não controlava o manuseio de sua navalha e com sua visão, bem deficiente, às vezes chegava a ferir seus clientes involuntariamente.

Com o passar dos anos sua esclerose piorou muito e com isso a sua modesta barbearia foi pouco a pouco perdendo seus clientes. Mesmo assim, uns e outros corajosos se aventuravam a fazer a barba com o velho Serafim.

Num belo dia chegou a Cuiabá um caixeiro-viajante que ficou hospedado no Hotel Esplanada, do Chico Jorge, que ficava onde é hoje a Lojas Riachuelo, na Avenida Getúlio Vargas.

Cansado da viagem de lancha, após ter tomado um belo banho, o viajante saiu pela cidade procurando um barbeiro, encontrando, ainda de portas abertas, a barbearia do Serafim.

O caixeiro-viajante indagou de transeuntes que passavam pelas imediações sobre Serafim e alguns lhe disseram em tom de chacota que o velho era bom barbeiro, só que era meio maluco. Ele não se intimidou, era apenas uma barba que ia fazer...

O recém-chegado sentou-se comodamente na cadeira do barbeiro, achando até o velho simpático, e foi logo puxando qualquer tipo de conversa fiada. O velho, porém, nada falava, só sorria...

O tempo foi passando, o rosto todo ensaboado e o velho só que sorri. De repente, o viajante acordou de um rápido cochilo e preocupado perguntou ao velho Serafim por que ele sorria tanto?

Então, o velho, com a navalha encostada em seu pescoço, falou:

“Estou ouvindo uma voz dizendo pra mim cortar a sua garganta, mas outra voz me diz pra mim não cortar e eu estou atrapalhado... não sei qual das duas atendo...”

O viajante arregalou os olhos e com um berro alucinante saltou da cadeira do maluco ganhando a rua, gritando feito um desesperado com o rosto todo ensaboado e ainda com a toalha branca presa ao pescoço!...

 

 

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