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Cuiabá, Janeiro de 2019

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Almanaque Cuiabá

Minha Namorada do Além

Era noite de sexta-feira treze - lá pelos anos 50 - em plena festa de Carnaval o Clube Feminino (prédio que abriga atualmente a Secretaria de Cultura do município) estava lotado.

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Ao som da animada banda do 16-BC, ouvia-se a “Máscara Negra”. Alcebíades era um jovem carioca, estudante de Direito que passava as suas férias em Cuiabá.

E naquele mesmo baile carnavalesco ao som ainda da “Máscara Negra” conhecera Teodora, uma lindíssima mulher, um corpo escultural que parecia ter saído de uma das mais belas telas de Leonardo da Vinci ou do Rafael. Embora não podendo ver seus olhos, uma linda máscara negra os ocultava, julgava que, como o rosto, o resto do seu corpo deveria ter a mesma beleza.

Alcebíades se apaixonara perdidamente pela formosa jovem. Desde o primeiro momento não paravam de dançar. Nos raros intervalos entre as músicas, Alcebíades implorava-lhe que parasse um pouco para descansar e tomar uma cerveja, mas a bela mulher parecia não se cansar, queria aproveitar todas as danças. Entre abraços e beijos o casal apaixonado desfrutava de todos as músicas do baile de Carnaval, até que num dado momento a misteriosa mascarada, perguntou ao seu par pelas horas. Alcebíades lhe respondeu que era ainda cedo, faltavam quinze minutos para meia-noite.

A moça disse que já era hora de ir para casa, encaminhando-se para a saída do Clube. Alcebíades, chateado com aquela brusca decisão, tenta fazê-la mudar de ideia, pedindo que ficasse mais um pouquinho, mas não houve jeito, a moça estava decidida.

O casal saiu do Clube. Alcebíades chamou um táxi que por ali se encontrava. Como chovia torrencialmente, o moço então agasalhou a sua amada com sua própria capa e em seguida embarcaram no velho automóvel Chevrolet, obedecendo as orientações da moça mascarada. Em certo momento Alcebíades lhe pediu que tirasse a sua máscara e que gostaria de conhecê-la melhor. O que foi negado.

Orientando o motorista sobre as ruas que deveria seguir, foram parar na Rua Batista das Neves. E aí em frente ao Cemitério da Piedade, ela pediu ao motorista que parasse. Alcebíades, em tom de brincadeira, lhe perguntou: “- Você mora no cemitério?” - “Sim, moro no Cemitério!, respondeu a moça, saltando do veículo e encaminhando para o portão do cemitério, que misteriosamente se abrira. Alcebíades saltou para dentro do carro sem olhar para trás, saindo a toda velocidade do sinistro local.

No outro dia bem cedo, inconformado com o acontecido, e somado à sua paixão, Alcebíades procurou o mesmo “chofer de praça”, e voltaram ambos ao Cemitério da Piedade para desvendar o mistério. Lá encontrou o zelador, que lhe permitiu vistoriar os livros de registro de sepultamentos. Lá estava “Teodora”, sepultada há cinco anos. Alcebíades, como bom advogado, não acreditou, quis ver a sepultura. O zelador o levou até ao mausoléu da família de Teodora, e lá estava o seu lindo retrato estampado na gélida laje de mármore e sobre a mesma, bem dobradinha, a sua capa, a qual havia emprestado na noite anterior à sua amada do outro mundo.

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