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Cuiabá, Dezembro de 2019

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Almanaque Cuiabá

Chico Palhaço e a Caveira

“Chico Palhaço e a Caveira” (1928) é um conto concentrado na vida de Joaquim da Aldeia e seu ajudante na roça, Chico Palhaço.

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À noite este entretia a todos contando suas anedotas no que era acompanhado pelo patrão, um espécie de líder dos moradores da redondeza. Geralmente nos sábados e domingos as reuniões eram compostas por tocadores de sanfona e violão que faziam desafios cantados nas ocasiões. Era a diversão daquelas pessoas sofridas pelo trabalho penoso no campo.

Na véspera do dia de São Pedro, em 1915, havia uma grande festa em honra ao santo na casa de Joaquim da Aldeia; ali os repentistas Manecão e Janjão eram incentivados pelos aplausos e o desafio se estendia sem que eles se cansassem. Do desafio passou-se ao insulto entre os antigos companheiros ao que já se previa uma briga de graves consequências aos cantadores bem como para a respeitabilidade do dono da casa. A inquietação dos assistentes chega até Joaquim da Aldeia no intuito deste intervir, o que de nada serviu, levando este às lágrimas por ver seu prestígio ruir, seguido no choro por Chico Palhaço ao ver seu patrão naquele estado.

A subserviência levava-o a fazer tudo para agradar Joaquim da Aldeia e quando este já não sabia mais o que fazer pediu a Chico que fosse até onde os repentistas estavam e inventasse qualquer história que fizesse rir a todos. O empregado perguntou se podia mentir, o outro consentiu inclusive formalizando que o apoiaria qualquer que fosse a história e o resultado desta. Pegou na cozinha uma cabeça de caprino espetada na parede, foi até o lugar onde os homens se desafiavam e inventou que tinha ido ao cemitério de onde trouxe aquela caveira cujo dono vinha vindo gritando, é minha, é minha!

Chico atirou o embrulho no meio da sala causando enorme alvoroço e esvaziamento da sala, seguido de uma enorme gargalhada por causa de sua enorme mentira.

 

Fonte:
Madalena Machado (Recortes extraídos de contos publicados no jornal A cruz, por Severino Queirós) 
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