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Cuiabá, Março de 2019

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Almanaque Cuiabá

Cara de Canga

Na década de 20 em Cuiabá já aparecia veículos motorizados, trazidos desmontados pelas embarcações tipo lanchas. Eram uns “caminhozinhos” marca Ford modelo T, alguns deles até transformados em jardineiras.

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Para se chegar a Cuiabá, o único meio de transporte era o fluvial, ou seja, através dos rios Cuiabá e Paraguai.

Havia várias agências de navegação, assim como diversos barcos, cada um com o seu respectivo nome: Iguatemi, Cuyabá, Rosa Bororo, Guaporé, Etrúria, etc.

O tempo de viagem, para quem vinha do litoral, era de aproximadamente um mês, dependendo das condições dos rios, pois nos períodos de seca, diminuía as águas e os barcos encalhavam nos bancos de areia.

Numa dessas embarcações, viajava para Cuiabá um senhor muito rico, com o propósito de se estabelecer comercialmente em Cuiabá.

Durante uma das paradas do barco, na cidade de Corumbá, ele ouviu por acaso em conversa com outros passageiros, um assunto que o deixou deveras intrigado e mesmo incomodado.

O papo que rolava na roda dos amigos referia-se a certas manias do povo cuiabano. Diziam eles que em Cuiabá todo mundo tem seu apelido, mesmo aqueles que ali chegam pela primeira vez, pois de imediato inventam um e sempre é de acordo com a aparência do individuo e fazendo sempre comparação pejorativa com alguma coisa.

A preocupação daquele senhor tinha fundamento, pois o mesmo, em conseqüência de uma moléstia sofrida no passado, tinha o seu rosto com marcas de lesões profundas, que deixaram sua face com uma aparência imperfeita.

Desde que deixou Corumbá, aquele velho senhor se trancou em seu camarote muito perturbado, remoendo toda aquela conversa ouvida pelos amigos do barco, e pensava consigo mesmo. “Éh... se eu aparecer lá, na certa vou ganhar um apelido! De graça!”...

Mais tarde, em busca de qualquer solução, foi à procura do comandante do barco, relatando o seu infortúnio.

E para sua surpresa, o velho comandante com toda paciência do mundo, veio sugerir-lhe uma solução para o caso, orientando-o da seguinte forma: assim que a embarcação atracar no porto de Cuiabá, o senhor não deve sair de imediato, só desembarque após todo mundo ter se retirado!

Na época, as chegadas das lanchas no Porto de Cuiabá era um verdadeiro evento social, com foguetórios, a presença de banda de música, faixas e flores desejando boas-vindas aos viajantes, etc.

De acordo o combinado, após a chegada do barco, bem mais tarde, quando tudo já tinha se acabado, o velho senhor resolveu abrir a porta do seu camarote, esperando a oportunidade de desembarcar, quando sem querer, ouviu a voz do comandante perguntando a um de seus marinheiros... “e aí todos já saíram?”

E o mesmo responde: “Só tá lá dentro o seu amigo, aquele “Cara de Canga”, no seu camarote!!!” 

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