Assine e receba a edição em casa

Vídeo Institucional

Cuiabá, Dezembro de 2019

Expediente Login
Almanaque Cuiabá

Conhecendo o artista

Tamanho do Texto A+ A-

Artista plástico de renome internacional, cuja vida dedicou em expressar nas suas obras a natureza, a fauna e a flora, contudo seu abstrato conhecido mundialmente pela característica única e particular de cores vibrantes, e, sobretudo seus retratos, destacando personalidades importantes no Brasil e no mundo.

É um dos mais populares artistas de Mato Grosso. Autodidata, iniciou seu trabalho com ilustração para cinema em Cuiabá de 1969 a 1982. Na agenda várias exposições individuais, coletivas, e leilões de arte. A primeira exposição aconteceu em 1986, e de lá para cá diversas experiências.

Em 1987 recebe menção honrosa no grande prêmio Internacional Rembrandt, em São Paulo. No ano seguinte é destaque no Anuário Latino Americano de Artes Plásticas. Em 1989 participou do primeiro salão Mato-grossense de Artes Plásticas. Victor Hugo é um artista eclético. Em 1991 – participou da III Bienal Nacional de Santos. E a partir desta década começa a realizar ilustrações para livros. Entre eles: “Uma aventura no Pantanal”, “Chapada o Mistério do Outro Mundo”, “Liberdade para as Araras Azuis”, escritos por Arnaldo Niskier (integrante da Academia Brasileira de Letras).

Nasceu em Caxias do Sul (RS) em 19 de outubro de 1954. Apaixonado pelo desenho desde criança, começou a trabalhar como auxiliar de vitrinista aos 13 anos de idade, daí por diante não parou mais de pesquisar e estudar arte. Frequentou como ouvinte a Escola de belas Artes de Caxias do Sul, participou de vários concursos de vitrinas e obteve várias vezes o 1º lugar, montou uma agência de propaganda visuais que se chamava Decorações Victor, e aos 20 anos se dedicou a pintura artística. Nesses anos de trabalho estudou formas, cores e técnicas sobre vários materiais como: pastel seco, tinta acrílica, óleo, carvão e técnicas mistas.

Cursou a Escola Internacional Gráfica de Veneza onde fez curso de Gravura e permaneceu por seis meses na Itália pintando e fazendo esculturas, onde existe o seu maior acervo de Esculturas. Hoje trabalha em Caxias do Sul- RS e divide seu tempo com a pintura e ministrando workshops de desenhos e outras técnicas, passa 4 meses por ano na Itália pintando e fazendo exposições.

CURSOS MINISTRADOS

- Curso de Técnicas para Fabricação de Materiais de Pintura, Galeria Pampa, Pelotas (RS);
- Curso de Pintura Acrílica, Galeria Arte Quadros, Caxias do Sul (RS);
- Curso de Técnica Pastel Seco Encerado, Galeria Pampa, Pelotas (RS);
- Curso de Desenho Figura Humana, Ampliato, Caxias do Sul (RS);
- Curso de Desenho Figura Humana, Atêlier Livre, Vacaria (RS);

A obra de Victor Hugo Porto por María Remesal Estévez Rossato – Historiadora e Crítica de Arte

Qualquer uma pessoa inserida no circuito da arte poderia dizer que o trabalho do Victor Hugo é “Marca Registrada”. O artista Caxiense tem conseguido criar um estilo perfeitamente reconhecível e que senta que nem uma luva á idiossincrasia da Serra Gaúcha. Conseguiu unir o imaginário cultural, o gosto pela figuração e a cor intensa, criando composições que ilustram com grande destreza o que há de comum nas almas de essa nossa sociedade que foi fundada por tantas outras. A mistura certa, diria eu.

Importante é o compromisso do autor com o seu tempo, os quadros do Victor Hugo propõem uma experiência de vida desde o interior da sociedade aceitando a sua própria temporalidade e sintetizando o sucessivo e o diverso.

A sua emblemática mulher mostra sem pudor os aspectos mais insignificantes e mundanos da nossa realidade, mas não é óbvia, a receita já foi testada e não tem erro; se enfrentam a brutalidade da linha preta e grosa a suavidade das curvas dos pescoços inclinados - que não tem como não me lembrar do grandíssimo Modigliani1 - , a chatizie vácua do cotidiano ás miradas reflexivas de soslaio, a realidade grotesca das formas anatômicas opulentas ao complexo jogo da mulher especular, da mulher que aparece é se esconde, que acreditas achar mas se descompõe.

 Essa similitude e diferencia da mulher que o Victor pinta cria um desconcerto no espectador que acha reconhecer alguém no primeiro olhar (tal vez ele mesmo, ou então o reflexo da sua sociedade) mas que erra, pois depois de um olhar mais apurado não consegue identificar a pessoa. É a dinâmica da nossa sociedade onde a proximidade física, ou até os relacionamentos interpessoais, não trazem o encontro do um com u outro.

Poderíamos falar de um complexo relacionamento entre o Victor Hugo e o cubismo. Seus quadros apresentam a maioria das características puramente cubistas (rejeição do espaço pictórico ilusionista, diversidade de pontos de vista, uso de facetas e valores de superfície e percepção corporal) porém analisando essas características chegamos facilmente a conclusão de que o objetivo –ou tal vez a concepção - e bem diferente do proposto por Picasso2 e Braque3 quando estabeleceram o código. Vejamos: é fácil encontrar líneas e facetas no fundo das obras do Victor Hugo que nos remetem ao seu uso primogênito - conectar as visões simultâneas para dar as relações espaciais do corpo com o entorno sem recorrer ao uso da perspectiva ou profundidade tradicionais - é isso realmente se cumpre a rigor em muitas das suas obras, mas não parece dogma de fé no autor pois em tantas outras ilustra, complementa a figura, com um espaço ilusionista tradicional respeitando até as formas pré-cubistas de perspectiva - e sim, estou falando do Cezanne4-.

Outro dos pontos interessantes deste controversial relacionamento é a simultaneidade dos pontos de vista; não é difícil achar, na obras do Victor Hugo, alguns dos elementos faciais mais expressivos –boca e olhos- desrespeitando as leis da perspectiva tradicional e se ajeitando no plano a vontade, mas não fica claro que a intenção do autor seja a fusão do objeto e o espaço para uma completa percepção corporal como os cubistas pretendiam, no caso no Victor parece mais um recurso expressivo na construção do um objeto conceitual. Uma influência cubista muito mais normativa do que filosófica, que nos leva ao seguinte ponto: a cor.

Falando em influencias cubistas o leitor deve ter pensado numa certa rejeição da cor, nada mais longe da realidade. A cor do Victor Hugo é Fauve5, a sua pincelada é violenta, espontânea e definitiva, e a sua cor brutal. Apresenta uma automização completa do real que pretende a sensação física da cor, que é subjetiva, antes do que corresponder à realidade. O figurativo que evade a mimeses, a mulher, o cotidiano, a cor desbordante e a peculiar concepção espacial são os ingredientes da formula, o resultado: é só olhar.

 

VOLTAR AO TOPO

    Compartilhe

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter