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Cuiabá, Novembro de 2019

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Almanaque Cuiabá

Conhecendo o artista

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Dalva de Barros nasceu em Cuiabá no dia 27 de outubro de 1935, fruto do casamento entre o goiano Nabor de Barros e a maranhense Maria José Costa Barros.

Incentivo nunca faltou em sua vida. Filha de pai garimpeiro, aprendeu bem cedo a comprar e a vender diamantes.

Durante muitos anos Dalva morou em uma fazenda em Estivado, localidade próxima ao município de Diamantino. Ali, sua mãe cuidava de um restaurante à beira da estrada. Nos fundos, seu pai criava gado. E Dalva ministrava aulas em uma escola rural. Nas horas vagas, se dedicava ao desenho. O primeiro curso foi feito pelo Instituto Universal por correspondência aos 23 anos. Os primeiros quadros iam direto para as paredes do restaurante da família.

Em 1961 vai estudar em São Paulo na Fundação Armando Álvares Penteado. Além da pintura trabalhou como artesã durante um bom tempo. Em 1966, Dalva foi convidada pela crítica de arte Aline Figueiredo, para participar de um concurso em Campo Grande, com um quadro que retratava a lida nos garimpos, e acabou conquistando o terceiro lugar. Este quadro foi adquirido pelo diretor do Museu de Arte de São Paulo, Pietro Maria Baldi, a pedido de Assis Chateaubriand, que não pôde ir a Campo Grande porque estava doente.

Em 1967, Filinto Muller consegue com o governador do Estado uma bolsa para Dalva, que segue para o Rio de Janeiro, onde passaria três anos fazendo curso livre de pintura na Escola Nacional de Belas Artes. Na época trabalhava como cabeleireira para garantir o sustento.

Dalva retorna para Mato Grosso em 1971, após a morte de seu pai. Depois de um ano na fazenda da família, começou a trabalhar com artesanato. "Fazia bolsas, sandálias, utilizava um motor para recortar as peças" - relembra. Em função deste ofício arrumou emprego na Secretaria Estadual de Cultura: ensinava artesanato e pintura nas associações de bairro e nos presídios e fazia a cenografia de peças de teatro. Logo depois, trabalhou na Casa do Artesão, que havia sido remodelada por Maria Lygia de Borges Garcia, esposa do então governador Garcia Neto.

Somente aos 27 anos foi que ela realizou a sua primeira exposição, na sala da União Nacional dos Estudantes, que ficava em cima do antigo Cine Teatro de Cuiabá.

A artista plástica foi responsável pelo Ateliê Livre quando foi aberta a Fundação Cultural, entre 1976 e 1980 e orientou o Ateliê Livre do Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, entre os anos de 1981 e 1996.

Sobre sua vida sintetiza: "Não foi uma vida fácil, mas quando olho para o meu passado sinto orgulho de tudo o que fiz".

A artista plástica Dalva de Barros leva uma vida modesta. Veste roupas simples, tem um olhar-falar tranqüilo e não cultiva desejo maior do que o de continuar pintando. “Minha filosofia de vida é pintar”, diz. Ao fazer propaganda de si mesmo, ela prefere retratar crianças de rua, garis, garimpeiros, mendigos, cangaceiros... enfim, personagens de uma realidade conturbada e caótica — mas que, em seus quadros, vai adquirindo ordem, sentido e intensidade. Parâmetros pelos quais a própria vida da pintora vai sendo construída.

Um quadro seu, colocado na vitrine de uma loja de tecidos — naquele tempo não havia galerias —, despertou o interesse da crítica de arte Aline Figueiredo, que a convidou para participar de um concurso em Campo Grande.

Dalva de Barros nunca parou de pintar. Quando foi aberta a Fundação Cultural, Dalva foi convidada a tomar conta do primeiro “atelier livre” de Mato Grosso. Mais tarde, tomou conta do atelier da Universidade Federal de Mato Grosso, entre os anos de 1980 e 1995. Pelos dois ateliês, passou e se aproveitou da sabedoria de Dalva quase toda a atual geração de grandes pintores cuiabanos. “Eu apenas lhes dava uma ou outra orientação, de modo a não lhes tirar a liberdade artística”, diz ela, com a modéstia habitual. “Ninguém forma um artista. A qualidade da obra de cada um depende da sua vocação e do seu esforço”.

Em 2004, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, através da Lei 8.204, instituiu a data de aniversário de Dalva em 27 de outubro, como o “Dia Estadual do Artista Plástico”. Na oportunidade, 15 artistas plásticos de renome promoveram uma grande celebração com a pintura simultânea de telas em frente à antiga sede da Assembléia Legislativa, atual Câmara Municipal de Cuiabá. Essas telas hoje também fazem parte do acervo do Poder Legislativo.

A galeria do prédio que abriga atualmente a Secretaria Estadual de Cultura recebeu através de iniciativa do governador Pedro Taques o nome de Galeria Dalva de Barros.

Formada em Matemática pela UFMT, Dalva só foi buscar o canudo recentemente.

Exposições Coletivas
1966 - Campo Grande MS - 1ª Exposição dos Artistas Mato-Grossenses - medalha de bronze;
1968 - Cuiabá MT - Mostra Grupo Jovem Mato-Grossense, promovida pela Associação Mato-Grossense de Artes - prêmio de viagem ao Rio de Janeiro;
1968 - Rio de Janeiro RJ - Salão Nacional de Belas Artes;
1974 - São Paulo SP - Bienal Nacional 74, na Fundação Bienal;
1974 - Cuiabá MT - Mostra, no Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT;
1979 - Curitiba PR - 36º Salão Paranaense;
1981 - Cuiabá MT - Brasil Cuiabá: pintura cabloca, no Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT;
1981 - Rio de Janeiro RJ - Brasil Cuiabá: pintura cabloca, no MAM/RJ;
1981 - São Paulo SP - Brasil Cuiabá: pintura cabloca, no MAM/SP;
1981 - Brasília DF - Brasil Cuiabá: pintura cabloca, no Fundação Cultural do Distrito Federal;
1988 - Rio de Janeiro RJ - Referências Pantaneiras na Pintura de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, no Solar Grandjean de Montigny;
1988 - São Paulo SP - Referências Pantaneiras na Pintura de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Paço das Artes;
1989 - Cuiabá MT - Mostra, no Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT;
1992 - São Paulo SP - A Cor do Mato, na Galerie Alliance Française;
2000 - Cuiabá MT - Projeto Grandeolhar, no Terminal Rodoviário de Cuiabá.

Exposições Individuais
1966 - Cuiabá MT - Primeira individual;
1975 - Aquidauana MT - Individual, no Museu de Aquidauana;
1977 - Cuiabá MT - Individual, na Fundação Cultural de Mato Grosso.

 
Fonte:Todos os direitos autorais reservados a autora. 
 

 

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