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Cuiabá, Novembro de 2019

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Almanaque Cuiabá

Conhecendo o artista

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Benedito Luís Nunes nasceu em Cuiabá no ano de 1956. Pintor, desenhista, professor e objetista. Começou a pintar em 1978, frequentando o Ateliê Livre da Fundação Cultural.

Com vinte e seis anos de carreira, além de prêmios e participação em importantes exposições como a do MAM SP/RJ em 1981, MASP 1980 e 1991, Nunes tem obras em importantes coleções, a exemplo, a de Gilberto Chateaubriand, cujo o acervo, maior da América Latina, está consignado ao MAM Rio de Janeiro.

Os materiais utilizados por Benedito são latas e papelões. Com esses materiais ele desenha o cotidiano das pessoas. No trabalho feito de retalho de lonas e latas, o retrato das mulheres nos sete dias da semana. Isso representa o dia a dia das pessoas em que o artista questiona e responde por meio da arte contemporânea. 

Com temas variados, as obras de Benedito Nunes nesses mais de 33 anos de experiência passeiam pelo cotidiano urbano e rural, visitam bares, caem na noite, circulam pelo cerrado e assobiam para as Cuiabanas Pocotós. Figura irreverente, a Cuiabana Pocotó é usada pelo artista para ilustrar quatro quadros nada convencionais. Fugindo do formato habitual, Nunes utiliza uma espécie de recorte para inovar. Em uma das obras, que retrata mulheres que vivem em suas casas e de repente decidem visitar a modernidade, a personagem é confeccionada com lata de óleo e durepoxi. "Colocam um salto como os que elas vêem na televisão e saem para passear. A diferença é que elas não sabem andar o que provoca muito barulho", explica o artista mato-grossense.

"Garota de Ipanema", de Tom Jobim, associada as onomatopéias "thof, thorof, throk, tolk," também é usada para ilustrar e elogiar uma das Cuiabanas Pocotó. O burburinho das conversas nas vernissages também é motivo de inspiração e é retratado na tela Exposição de Pintura. Nem o barulho dos encontros em bares passa despercebido pelos ouvidos e olhos do artista.

Figurou  nas exposições coletivas:

1978 - III Salão Jovem Arte Mato-grossense, Cuiabá, MT;

1979 - IV Salão Jovem Arte Mato-grossense, Cuiabá, MT;

1979 - Visão/Arte Mato-grossense, MACP, UFMT, Cuiabá, MT;

1980 - Primitivos de Mato Grosso, MASP, São Paulo, SP;

1981 - IV Salão de Artes Plásticas de Presidente Prudente, SP;

Brasil Cuiabá Pintura Cabocla, MAM, Rio de Janeiro, RJ;

Brasil Cuiabá Pintura Cabocla, MAM, São Paulo, SP;

Brasil Cuiabá Pintura Cabocla, Fundação Cultural, Brasília, DF;

VI Salão Jovem Arte Mato-grossense, Cuiabá - MT;

1984 - VI Salão Jovem Arte Mato-Grossense, Prêmio Aquisição, Cuiabá, MT;

Um Auto Retrato da Arte em Cuiabá, Galeria Laila Zahran, Cuiabá, MT;

1985 - VII Salão Jovem Arte Mato-grossense, Cuiabá, MT;

VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, Funarte, Rio de Janeiro, RJ;

1986 - XVIII Salão Nacional de Belo Horizonte, MG;

Arte como Forma de Conhecimento, MACP, UFMT, Cuiabá, MT;

Arte como Forma de Conhecimento, FAAP, São Paulo, SP;

Arte como Forma de Conhecimento, UFES, Vitória, ES;

Salão Nacional de Artes Plásticas, MAM, Brasília, DF;

1987 - VI Salão de Ares Plásticas de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS;

1988 - Negra Sensibilidade, MACP, UFMT, Cuiabá, MT;

Referências Pantaneiras em MT e MS, Paço das Artes, São Paulo, SP;

1989 - Momentos da República na Arte Mato-grossense, MACP, UFMT, Cuiabá, MT;

1991 - Arte Aqui é Mato, MASP, São Paulo, SP;

1991 - Arte Aqui é Mato, Museu de Arte Brasileira, Brasília, DF;

1994 - XIV Salão Jovem Arte Mato-grossense, Prêmio Incentivo, Cuiabá, MT;

1998 - Pintando Cuiabá, Secretaria Municipal de Cultura, Cuiabá, MT;

2000 - Projeto Grande Olhar, Rodoviária, Cuiabá, MT;

Artistas do Século, MACP, UFMT, Cuiabá, MT;

2001 - Projeto Grande Olhar, Mercado Municipal, Cuiabá, MT;

2002 - Tradição e Arte Cuiabana, Salão Nobre do Palácio da Instrução, Cuiabá, MT;

2003 - Olhar 40º, Moitará SEBRAE, Cuiabá, MT;

2003 - I Coletiva de Inverno, Pellegrim Galeria, Chapada dos Guimarães, MT;

2003 - Biomas, Pellegrim Galeria, Chapada dos Guimarães, MT;

2003 - Panorama das Artes Plásticas em MT no Século XX, Cuiabá, MT.

 

Exposições Individuais:

1983 - Casa da Cultura, Cuiabá, MT; 
1990 - Cerrado Paisagem, Galeria Hapenning, Cuiabá, MT;

1992 - A Cor do Mato, Aliança Francesa, São Paulo, SP;

1995 - Uma Pequena Retrospectiva, Galeria do Pádua, Cuiabá, MT;

1998 - Paisgem do Centro-oeste, Galeria Dalva de Barros, Cuiabá, MT;

2002 - Descerrado, Galeria do SESC Arsenal, Cuiabá, MT;

2003 - Descerrado, SESC Pantanal, Poconé, MT;

2004 - Barulho Cerrado, Pellegrim Galeria, Cuiabá, MT;

Cocorocó, bem-te-vi, zum-zum, chuá-chuá, glu-glu... Onomatopéias. Figura de linguagem em que aparecem vocábulos cuja pronúncia imita o som natural das coisas ou da ação que seus movimentos proporcionam.
Com Guimarães Rosa, na poética modernista dos anos cinqüenta elas são usadas para retratar o sertão, frases onomatopaicas são eternizadas, a exemplo desta - “os passarinhos que bem-me-viam” de Rosa.
Nos anos sessenta elas surgem no seriado Batman, a cada golpe do ator Adam West, cujo uniforme de morcego lembrava fantasias de carnaval, a tela da TV era preenchida por um sonoro POW! ou ainda CRACH!
Nas obras de Benedito Nunes o POW!, CRACH!, SOC!, de Batman e também o porrom-porrom, bi-bip e fom fom dos grandes centros não aparecem, aliás o artista diz estar cansado dos BUM’s e principalmente dos TISSS TUM, TISSS TUM vindo do porta malas da juventude do começo desse século, o que Nunes realmente deseja é “bem te ver de todas maneiras”. Assim, em suas viagens pelo interior do Estado de Mato Grosso ele descobre, com minuciosa atenção na natureza, novos sons, diz o artista que a cada mata, a cada cachoeira e rio, os sons mudam e como Guimarães Rosa, insere em sua obra o som do Sertão, remetendo o espectador a uma reflexão sobre sua identidade e local onde vive.

A obra Bem-te-vi inaugura a nova fase do artista. Inserir os sons em suas obras tornou-se um desafio. O artista inventa formas de esconder os sons em meio as cores, nuances e formas de suas telas. No painel “Pantanal”, onde aparece o Rio Claro (Pantanal), um sutil glu-glu surge na água e, na mata, ao fundo, os sons dos pássaros. O mesmo acontece com a obra “Caminho Cerrado”, onde as pegadas da onça no caminha fazem um tênue ruído. Na obra Raio Cerrado o artista não coloca a onomatopéia mas com muito bom humor diz “o barulho vem depois do raio”.
Com vinte e seis anos de carreira, além de prêmios e participação em importantes exposições como a do MAM SP/RJ em 1981, MASP 1980 e 1991, Nunes tem obras em importantes coleções a exemplo a de Gilberto Chateaubriand, cujo o acervo, maior da América Latina, está consignado ao MAM Rio de Janeiro.
O artista mostra toda sua maturidade e criatividade. Um trabalho com grande poética e identificação com Centro da América, uma pesquisa bem humorada que pode dar um “BUM” em sua carreira.

Fonte:
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