Assine e receba a edição em casa

Vídeo Institucional

Cuiabá, Dezembro de 2019

Expediente Login
Almanaque Cuiabá

Dunga Rodrigues

Uma mulher a frente do seu tempo. Assim, Maria Benedita Deschamps Rodrigues marcou a história da musicografia mato-grossense.

Arquivo pessoal
Dunga Rodrigues

Na foto inédita tirada com a família, Dunga Rodrigues é a segunda em pé, da esquerda para a direita da imagem

Tamanho do Texto A+ A-

Nascida em 15 de julho de 1908, em Cuiabá, Dunga, como ficou conhecida, era filha de Firmo José Rodrigues e de Maria Rita Deschamps Rodrigues.

Sinônimo de cultura e foi uma das mulheres que mais se destacaram em Mato Grosso no século passado. Professora, musicista, historiadora e escritora, Dunga Rodrigues ensinou francês, mas principalmente, a música. Promoveu saraus, recitais, formou muitos músicos na capital e escreveu livros sobre a cultura e história de Cuiabá e Mato Grosso.

Divertida e exigente, Dunga despertava o carinho das pessoas e encantava quando dedilhava o seu piano. Extremamente culta, seus livros lhe renderam uma cadeira na Academia Mato-grossense de Letras, local que à época era freqüentado majoritariamente por homens. Ela ocupou por muitos anos a cadeira número 39 da Academia, e ainda foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado, do Centro de Música Brasileira do Estado de São Paulo e integrou a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, onde o seu trabalho foi elogiadíssimo. Pertenceu também ao Grêmio Júlia Lopes de Almeida.

Entre os livros publicados por Dunga Rodrigues estão: Reminiscência de Cuiabá (1969); Lendas de Mato Grosso (1977); Os Vizinhos (1977); Marphysa (1981); Cuiabá: Roteiro de Lendas (1984); Uma aventura em Mato Grosso (1984); Memória Musical de Cuiabá (1985); Cuiabá ao longo de cem anos (1994); Movimento musical em Cuiabá (2000); Colcha de Retalhos (2000).

Dunga estudou as primeiras letras no Asilo Santa Rita das irmãs francesas de Notre Dame de Lourdes, o quarto e quinto anos na Escola Modelo Barão de Melgaço. Fez o Ginásio no Liceu Cuiabano e o colegial na Escola de Economia e Comércio, mais tarde equiparado por lei a Curso de nível superior.

Começou os seus estudos musicais aos cinco anos de idade, ainda no Asilo Santa Rita com a profª. francesa Irmã Marie Vicent, diplomada pelo Conservatório de Paris. Deu-lhes continuidade com Francisco Mendes, Emílio Heine, Irmã Alzira Bastos, a polonesa Helena Müller e outros. Só muito tempo mais tarde regularizou seus estudos, já em 1972, no Conservatório Musical de Mato Grosso, com a profª. Dalva Lucia Silva Duarte, concluindo o Curso Técnico de Piano, em convênio com o Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. Nesta instituição veio a graduar-se mais tarde, na classe da profª. Dulce Vaz de Siqueira.

Em 1997 concluiu Especialização em Música Brasileira através da UFMT. Entre tocar e compor, preferia o primeiro, e quando compunha gostava de homenagear os amigos. Foi assim que compôs para a amiga Maria Arruda Muller, "Serenata Sideral".

Estudou, num período de cinco anos consecutivos, Lingüística Portuguesa com o prof. Cesário Neto. Lecionou Francês e Fundamentos Sociais de Educação na Escola Normal Pedro Celestino, Liceu Cuiabano, Ginásio Brasil e escola Técnica Federal de Mato Grosso. Deu aulas, também, no SESC, SENAC, SESI, Cubes Feminino e D. Bosco e para turmas da Polícia Rodoviária.

Dunga trabalhou na UFMT como Agente Didático, lotada no NDHIR (Núcleo de Documentação Histórica e Regional da UFMT).

Lecionou música em casa, no Centro Artístico e Musical de Cuiabá, no Conservatório Mato-grossense de Música, no Conservatório Musical de Mato Grosso e no Conservatório Musical Dunga Rodrigues, onde surpreendia seus alunos e amigos com tamanha dedicação e apreço pela música.

Dunga morreu no dia 6 de janeiro, de 2002. Estava em Santos (SP) onde se recuperava de problemas cardíacos. Dias antes, Dunga foi internada, recebeu alta e passou a ser acompanhada pela família, mas o quadro dela se agravou e Maria Deschamps Rodrigues morreu. O corpo dela foi cremado em Santos e as cinzas trazidas para a cidade que tanto amava e a inspirava: Cuiabá, onde foram enterradas no cemitério do Porto.

VOLTAR AO TOPO

    Compartilhe

  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter