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Cuiabá, Dezembro de 2019

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Almanaque Cuiabá

Bicentenário da Fundação de Cuiabá

Sob a liderança de Estevão de Mendonça, reuniram-se em fevereiro de 1918, Miguel do Carmo de Oliveira Mello, João Barbosa de Faria, Professor Philogonio de Paula Corrêa e o Contador Antonio Fernandes de Souza, que elaboraram de imediato uma primeira tentativa de programação para os festejos, e efetuaram os convites necessários para outras pessoas interessadas e autoridades constituídas.

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O centenário da fundação de Cuiabá, em 1819, não teve qualquer comemoração oficial, e os historiadores mato-grossenses, em especial Estevão de Mendonça, bem sabiam disso, pois conheciam como ninguém os registros históricos.

Em 1918, historiadores e homens de letras de Mato Grosso, preocupados em não deixar passar sem qualquer lembrança da data referente aos dois séculos da fundação de Cuiabá, reuniram pequeno grupo e fizeram uma comissão, com o objetivo de implementar e desenvolver, junto à sociedade cuiabana e às autoridades constituídas, a idéia da comemoração do bicentenário da capital do estado. Seria uma justa homenagem aos bandeirantes pioneiros que, comandados por Pascoal Moreira Cabral, se instalaram às margens do Coxipó em princípios do século XVIII.

Sob a liderança de Estevão de Mendonça, reuniram-se em fevereiro de 1918, Miguel do Carmo de Oliveira Mello, João Barbosa de Faria, Professor Philogonio de Paula Corrêa e o Contador Antonio Fernandes de Souza, que elaboraram de imediato uma primeira tentativa de programação para os festejos, e efetuaram os convites necessários para outras pessoas interessadas e autoridades constituídas.

Fruto dessa iniciativa e desse convite, em 3 de março de 1918, à dez horas da manha, na Câmara Municipal, sob a presidência do Intendente Municipal de Cuiabá, o Coronel Alexandre Magno Addor, reuniu-se pela primeira vez a Comissão para tratar da comemoração do bicentenário cuiabano.

Pela Ata lavrada na ocasião, percebe-se quão concorrida fora aquela primeira reunião, participando autoridades civis, militares, clero, professores e interessados de forma geral. Tal documento, lavrado em livro próprio, teve o sugestivo nome de Ata da primeira reunião para se tratar da Comemoração do bicentenário do descobrimento de Mato Grosso e fundação de Cuiabá.

Alem do Intendente Municipal, usou da palavra na ocasião o professor Philogonio Corrêa, enumerando as idéias sugeridas, as quais poderiam servir como programa para as solenidades que se desenrolariam no ano seguinte. Citou no item 6: A maior parte dos produtos desta exposição, assim como os documentos históricos e etnográficos que se conseguirem, poderão servir de base a um museu permanente e a uma sociedade para Mato Grosso condigna representação no Congresso de Historia do rio e na Exposição Nacional do Ipiranga, ambos marcados para 7 de setembro de 1922, 1º Centenário da nossa Independência.

Foram propostas também varias comissões municipais para sugerirem itens dentro da programação geral das comemorações, alem dos nomes de pessoas para cumprirem varias tarefas na Comissão Central. Esta, ficou assim constituída; Presidente –m Alexandre Magno Addor, Intendente Municipal de Cuiabá, membros – Luis da Costa Ribeiro, Joaquim Gaudie de Aquino Corrêa, Julio Frederico Muller, Aníbal Benício de Toledo, Firmo José Rodrigues, Américo Augusto caldas, Carlos Gomes Borralho, Virgilio Alves Filho, Otávio Pitaluga, Antonio Fernandes Trigo de Loureiro, Pe. João Batista Contouron e Fernando Leite de Campos. Também fazia, parte da Comissão Central os implementadores primeiros da idéia, Estevão de |Mendonça, Miguel Carmo de Oliveira Mello, João Barboza de faria, Philogonio de Paula Corrêa e Antonio Fernandes de Souza, este, secretario da Comissão.

Encerrada essa reunião, outra foi imediatamente marcada para 7 de março, apenas três dias após. Exatas 31 reuniões foram realizadas durante os anos de 1918 e 1919, ate a data magna de 8 de abril, quando do ápice das festividades tão antecipadamente programadas, todas elas tendo as respectivas atas lavradas, observando-se nelas, a minuciosa preocupação de Antonio Fernandes de Souza com o registro histórico. Ao todo, lavou esse historiador secretário, as atas de 36 reuniões.

Na terceira reunião da comissão, foi apresentada a seguinte proposta por escrito e consignada em ata: Proponho que a comissão central do centenário e da exposição se constitua em comitê para promover a fundação do Instituto Histórico. Arqueológico e Geográfico de Mato Grosso. Sala das sessões, 10 de março de 1918 – João Barbosa de Faria – Antonio Fernandes de Souza.

Ainda no mês de março, na 4ª reunião da Comissão, os mesmos membros acima mencionados enviaram à mesa a seguinte proposta: Proponho que se designe uma comissão composta de cinco membros, que se encarregará da inauguração dos trabalhos para a instalação do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Mato Grosso; que seja designado o dia 8 de abril entrante para a instalação oficial e solene do Instituto; que seja concedida à pré-citada comissão ampla liberdade de ação no sentido de se desempenhar de seu cargo. Cuiabá, 31 de março de 1918. José Barbosa de Faria – Antonio Fernandes de Souza.

Na mesma ata encontramos: Posta em discussão e em seguida aprovada sem debate, o sr. Presidente fez proceder à eleição dos cinco membros de que se devera compor a comissão a que se refere essa proposta, a qual ficou constituída pelos srs Estevão de Mendonça, Dr. José Barnabé de Mesquita,m professor Philogonio Corrêa, Dr. João Barboza de Faria e Antonio Fernandes de Souza.

Essa comissão, de imediato tomou a importante decisão de solicitar  delegar ao historiador Estevão de Mendonça a elaboração de um projeto de Estatuto Social para o Instituto que se pretendia criar.

E isso se confirma na leitura da primeira Ata da Sessão Fundadora do Instituto Histórico de Mato Grosso, levada a efeito a 1 de janeiro de 1919: Tomando assento à mesa, convidou para ocupá-la os membros presentes da Comissão Promotora da Comemoração do Bi-Centenário, que haviam tomado parte na reunião preliminar que teve por fim a fundação do Instituto Histórico de Mato Grosso... declarando a idéia da formação de um Instituto Histórico Mato-grossense, idéia essa que havia já sido motivo de reunião diversas de muitos membros da Comissão do Bi-Centenário, os quais chegaram mesmo a eleger uma diretoria provisória do Instituto embrião, assim como uma Comissão incumbida da elaboração dos seus Estatutos”. Continuando, nos conta a referida Ata: “... a fim de que se procedesse à leitura dos estatutos elaborados pelo relator Estevão de Mendonça. Lidos estes e aprovados, artigo por artigo, com ligeiras modificações, foram em seguida assinados pelos presentes...

Após a criação do Instituto na reunião de 1º de janeiro de 19198, todos os membros da primeira Comissão que implementara a idéia primeira das festividades, reunidos ainda em fevereiro de 1918 sob a presidência de Estevão de Mendonça, todos eles sem exceção, tornaram-se sócios fundadores e efetivos de primeira hora do Instituto Histórico, assim, como uma boa parte dos presentes à primeira reunião da Comissão de 3 de março realizada sob o comando do Intendente Alexandre Magno Addor.

Percebe-se assim que o Instituto despontou efetivamente do seio da Comissão |central do Bi-Centenário de Cuiabá. Foi filho maior e mais condigno dessas solenidades festivas que abrilhantaram todo o ano de 1919. os membros principais dessa comissão, prepararam em seguidas reuniões, em discussões por brilhantes, as bases sólidas para a constituição da sociedade, aproveitando a histórica ocasião.

Quando a isso, Antonio Fernandes de Souza não deixa qualquer duvida, quando nos diz na introdução de seu trabalho A invasão Paraguaia de mato Grosso, por ocasião de seu lançamento em 1919: Foi sob o influxo da administração do virtuoso prelado, que se constituíram em todos os municípios do Estado as comissões pró Bi-Centenário, que há mais de um ano vêem trabalhando pelo levantamento moral, intelectual e material desta terra, inspirando idéias generosas que vão sendo convertidas em realidade palpitante, entre as quais, sem duvida, é das mais importantes, pela sua incontestável utilidade, a da criação do Instituto Histórico de Mato Grosso que hoje se inaugura.

Tão arraigada estava a idéia da criação de uma sociedade histórica, no seio da Comissão do Bi-Centenário de Cuiabá, que o Instituto Histórico, findas as comemorações desse ano, herdou inclusive, para o seu acervo, o importante e histórico Livro de Atas. Realmente em ultima reunião de 15 de dezembro de 1919, em que se fez um balanço geral das atividades da referida Comissão e dos festejos, lemos que A inauguração do Instituto Histórico de Mato Grosso, ao qual a Comissão Central do bi-centenário, faz neste momento entrega de seu livro de atas...

Aqueles historiadores todos, principalmente Estevão de Mendonça e Antonio Fernandes de Souza, que há anos vinham tentando dar vida à uma agremiação de caráter histórico e geográfico, aproveitando a Comissão dos festejos do Bi-centenário da fundação de Cuiabá , finalmente conseguiram realizar o seu sonho maior, o da criação do Instituto Histórico de Mato grosso.

 

Fonte: Paulo Pitaluga
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