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Cuiabá, Março de 2019

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Almanaque Cuiabá

Cuiabá 280 anos: que cidade é esta?

Em agosto próximo completarei 24 anos morando em Cuiabá. Foi a fase mais produtiva de minha vida. E a fase de maior crescimento de Cuiabá. Pude acompanhar esses anos na intimidade como observador e como jornalista.

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Nesse período, a partir de 1975 a cidade foi escolhida por formidáveis correntes migratórias. Era gente que vinha em busca de terras na Amazônia, atendendo a um chamado do governo militar: integrar a Amazônia para não entregá-la. E Cuiabá ficou conhecida como o “Portal da Amazônia”. Até o fim dos anos 90. Depois a cidade parou de crescer com as correntes migratórias de fora e recebeu correntes internas vindas do nortão e do interior onde garimpos e pequenas propriedades esgotaram sua capacidade de sustentar milhares de pessoas empobrecidas.

Cuiabá pagou caro pelas ondas de migração. De uma cidade média, provinciana e feliz, acabou virando metrópole. Pagando todos os custos de ser uma cidade grande, comparada com aquela pacata e morna cidade do começo dos anos 70.

Bom. Que Cuiabá tornou-se uma cidade grande e cheia de problemas típicos, todos sabemos. Mas o que será nos anos próximos? Vou arriscar a fazer profecias, mesmo não sendo profeta.

Ninguém sabia naqueles anos 70 no que daria a ocupação da Amazônia e dos cerrados matogrossenses. Falava-se em madeira, em borracha, em gado e em arroz. Soja era deconhecida em Mato Grosso. Passados 24 anos desde 1975, nesse quarto de século Mato Grosso já definiu a sua cara. Será um estado rico. Sem dúvida. Agricultura técnica, agroindústrias. Produção em alta escala. Muitas cidades ricas. A economia estadual estará concentrada em pólos como Rondonópolis, Várzea Grande, Primavera do Leste, Campo Verde, Alto Taquari, Barra do Garças, Canarana, Água Boa, Barra do Bugres, Tangará da Serra, Sapeza, Campo Novo dos Parecis, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sorriso, Sinop, Colider, Alta Floresta, Matupá, Cáceres, Comodoro, e outros.

E Cuiabá será o ponto de referência como capital política, cidade de serviços e de apoio ao estado. Além de forte referência cultural. Mas que cidade será esta? Na medida em que os pólos se consolidarem, fortalecerão a economia e Cuiabá vai se desinchar aos poucos. Não passará jamais da sua população atual na faixa de 400 mil pessoas. Mas deverá se consolidar como uma cidade moderna. Ótima qualidade de vida. Segura. População com renda elevada. Sem favelas. Será uma cidade de serviços, apoiando a forte economia estadual. Com isso, será uma cidade muito agradável para se viver. A pergunta é: em quanto tempo? A resposta é otimista. Não mais do que em cinco anos a cidade terá essa nova cara econômica. E, junto, uma forte remodelação urbana e sociológica. A certeza vem dos estudos sobre a população de Mato Grosso que mostram uma população praticamente estagnada, contra aquelas ondas crescente de migração dos últimos 24 anos. Cuiabá será uma bela e ótima cidade para se morar. Melhor até do que antes das migrações quando era calma mas tinha grande infraestrutura urbana muito precária.

 

postado por Onofre Ribeiro, 1999
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