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Cuiabá, Setembro de 2019

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Almanaque Cuiabá

Zulmira Canavarros

Zulmira Canavarros

Uma grande noite para uma mulher que, com seu empreendedorismo, sua coragem e sua arte, marcou a história de Cuiabá com seu feminismo indelével

Num certo momento de um poema o poeta diz “Dona Zulmira brigou com as moças/ do Clube Feminino e fundou o Mixto”. Dona Zulmira é Zulmira Canavarros, a mesma que empresta o nome ao logradouro que passa em frente ao IFMT – antiga Escola Técnica Federal de Mato Grosso e também ao Teatro do Cerrado, que está lá Assembleia Legislativa, que hoje, neste 8 de março de 2016, Dia Internacional da Mulher, servirá de palco para o lançamento do livro “Zulmira Canavarros, a Egéria Cuiabana” de Benedito Pedro Dorileo ou, simplesmente, Professor Dorileo.

Professor Dorileo é um apaixonado pela professora Zulmira Canavarros. Professora de todos nós que ainda estamos na infância cultural e não temos ainda um terço da altivez comn a ela, com muita com garra, movimentou esta cidade culturalmente e continua sendo um dos nomes mais expressivos da nossa recente história e está no foco deste livro “A Egéria Cuiabana”. A literatura do professor Dorileo vai nos ajudar a revigorar a nossa memória, que anda tão esquecida de seus nomes.

O livro é Zulmira, a inspiradora desta Cuiabá. O foco deste repórter, mixtense desde uma longínqua noite dos anos 60 quando foi ao Estádio Presidente Dutra pela primeira vez e assistiu ao Mixto – do craque Ruiter - aplicar uma surra no Riachuelo, é o da ativista desportiva e cultural, como nos conta Professor Dorileo no capitulo dedicado ao Clube Feminino.

Sim, Zulmira Canavarros “organiza a comissão de jovens e faz o convite para a primeira diretoria”, embora não reivindicando nada para si, melhor, recusa a presidência e aparece apenas como diretora esportiva da recém fundada associação recreativa e cultural. O ano era 1928.

Ora, nada mais genial: criar um clube só de mulheres, em meio àquela sociedade patriarcal, machista, excludente. A primeira dama assume a presidência de honra – Dulce Marinho Corrêa da Costa - e de certo não modo poderia ser diferente, enquanto as atividades esportivas basquetebol e voleibol animavam as jovens cuiabanas, que também se enfeitavam para os “saraus dançantes ou sessões lítero-musicais ou teatrais”, como nos informa o mestre biógrafo, em sua página 37. Ora, ora “os rapazes eram atraídos para as lindas cuiabanas, com vestidos ornamentais colados ao corpo, modelado pelo espartilho; conquistaram românticos amores e consumaram muitos casamentos”. Sim, parece consumaram muitas, muitas paixões.

Como o eu-lírico do poema diz que Zulmira Canavarros se desentendeu com outras moças do Clube Feminino. Isso não fica muito claro no livro do escritor Professor Dorileo. Ele diz que a sede era frequentada pelos homens – e isso “parece ter influído para fortalecer a ideia de fundação de um novo clube que refletisse o encontro dos dois gêneros: o Mixto”. Para quem não sabia, saiba Mixto é a soma de homem e mulher.

Zulmira Canavarros, no ano de 1934, começa o movimento, é uma agitação e nos primeiros dias de maio, na casa da família Hugueney de Siqueira, localizada na Rua Sete de Setembro – que hoje tristemente está abandonada – e no dia 20 de maio de 1934 era fundado o Mixto Sport Club, tendo na presidência Zulmira Canavarros.

Está lá narrada, com detalhes, a história da compra do imóvel na Rua Cândido Mariano, a construção da quadra de esporte, a criação do Hino Oficial, composição de Zulmira Canavarros em parceria com o professor Ulysses Cuiabano, as primeiras acirradas disputas de voleibol e basquete com o Clube Feminino e a formação do primeiro time de futebol em 1940 e, em 1943, conquista o primeiro campeonato.

Depois, o Mixto teve outro abnegado que sustentou o clube, que foi o professor Ranulfo Paes de Barros - e depois o Mixto declinou.

Não temos mais Zulmira, não temos mais Ranulfos, mas temos ainda professores amados que guardam a memória, como o Professor Benedito Pedro Dorileo que (espero que não se aborreça com este repórter), como nos revelou, apesar do selo da editora, patrocinou com recursos próprios está belíssima edição que será autografada nesta noite no foyer do Teatro Zulmira Canavarros.

Uma grande noite para lembrar e exaltar a memória de uma mulher pioneira: Zulmira Canavarros

 

Fonte: JOÃO BOSQUO Da Reportagem/ DC

 

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