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Cuiabá, Novembro de 2019

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Primeira mulher a atuar como comerciante em Cuiabá

Creditos: shutterstock e álbum de família
Primeira mulher a atuar como comerciante em Cuiabá

Euphrosina Hugueney de Mattos, primeira mulher comerciante de Cuiabá, capital de Mato Grosso, no início do século XX

O Dia do Comerciante é comemorado no Brasil em 16 de julho e não poderia passar em branco a homenagem em que o portal Rosa-Choque, exclusivamente de conteúdos femininos, publicou em suas páginas a história de quem com pioneirismo se dedicou a essa carreira

Passados tantos séculos do início da atividade econômica mais antiga da humanidade, originada nos primórdios dos tempos, quando a economia ainda funcionava a base de trocas, estamos hoje em contato permanente com uma multiplicidade de mundos, através de complexos e sofisticados dispositivos de informação que fazem parte do nosso convívio, permitindo que a nossa percepção do mundo ultrapasse barreiras de temporalidade e da especialidade.

UMA MULHER NO BALCÃO 
Por detrás de um balcão as transformações da humanidade também foram acompanhadas: guerras, mudanças sociais, econômicas, tecnológicas. Subiram tiranos, caíram governantes, mudaram-se regras de mercado, nasceram novas profissões, que se agregaram ao comércio, criaram-se novos meios e formas de comercialização. Não devemos nos esquecer, entretanto, de quem deixou seu nome através de séculos, por empreender na profissão de maneira pioneira, como o caso de Euphrosina Hugueney de Mattos, uma mulher nascida no século 19, e que no início do século XX esteve à frente do seu tempo.

DIA DO COMERCIANTE
Negociante, assim era a carreira de Euphrosina Hugueney de Mattos. Ela nasceu em março de 1871, na Raiz da Serra. Município de Magé, subida para Petrópolis, Rio de Janeiro. Na época em que as mulheres não eram nem números, ainda que rasos, computados na economia ativa do país, ela já tocava um empreendimento comercial. O Dia 16 de julho, data em que se comemora no Brasil o "Dia do Comerciante", e lógico da comerciante, não poderia passar sem que um portal, exclusivamente de conteúdos femininos, buscasse na história quem com pioneirismo se dedicou a esta carreira.

PRIMAZIA CUIABANA
Foi no Começo do século XX que Euphrosina se estabeleceu em Cuiabá, como comerciante. Esta é a razão, entretanto, de relembrar-mos esta personalidade ímpar que fez história na capital mato-grossense, que pelos registros da historiadora Nilza Queiroz, membro da Academia Mato-Grossense de Letras, foi a primeira mulher a exercer a atividade comercial na cidade.

A MODA ENTRA EM CENA
A comerciante, que atuou por muitos anos no mercado da moda, foi esposa de um importante homem de negócios, Joaquim Francisco de Mattos, cônsul português e que gozava de muito prestígio. Teve tres filhos: Allírio, Athaíde  e  Dirce. Ficou viúva em 1904. Conforme rememorou Nilza Queiroz, Euphrosina se estabeleceu em Cuiabá no início do Século XX, com uma loja atualizada em tudo o que se referia a moda feminina. Ela trazia mercadorias da Argentina e do Uruguai para vestir bem a mulher cuiabana. “Para encantar e deslumbrar a beleza feminina Euphrosina fez inúmeras viagens de negócios à Buenos Aires e Montevidéu pelos navios da bacia do prata”.
Se nos espelharmos, entretanto, no que já passaram nossas antecessoras do mundo empresarial, teremos mais força ainda para prosseguir. Para se ter uma ideia,  Euphrosina Hugueney de Mattos, para trazer produtos de interesse das mulheres,  fazia viagens que duravam 40 dias, contando-se as paradas para a espera da embarcação. “Somente em 1914, com a inauguração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que oferecia o trecho Boa Esperança/Campo Grande, é que diminuía o tempo da  chegada das mercadorias".

MÃE DEDICADA
Dentre os filhos, o mais famoso foi  Allyrio Carlos Hugueney de Mattos, engenheiro, astrônomo e professor, que foi consultor técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e premiado internacionalmente. Tem até rua com o nome dele em São Paulo. Pelo que consta na biografia de Allyrio, verifica-se que Euphrosina era uma mãe dedicada, diz o relato: “inicia ainda criança seus estudos em escola primária de sua cidade natal, todavia, ali não continuando pela rigidez dos métodos infligidos aos alunos que desagradam sua atenta mãe. É, então, enviado para estudar interno no colégio dos padres jesuítas, em São Leopoldo (RS). O filho Athaide acompanhou a mãe nos negócios, e a filha casou-se com um influente militar.

Além da homenagem da Associação Comercial, outro reconhecimento a  Euphrosina foi feita pela Prefeitura Municipal de Cuiabá, pouco mais de um ano depois, em outubro de 1998, quando  na gestão de Roberto França Auad, foi sancionada a lei aprovada pela Câmara Municipal de Cuiabá, de autoria do vereador Aurélio Augusto, para  a criação da Praça  Dona Euphrosina Hugueney  de Mattos. A praça está localizada aos fundos da Igreja "Senhor dos Passos," Centro de Cuiabá.

O Almanaque Laemmert, registrou os negócios nas áreas de comércio, indústria e profissões do período de 1891 a 1940, e nele se encontrava o único empreendimento tocado por uma mulher, e ainda com seu próprio nome no negócio: Euphrosina Hugueney de Mattos & Filho.  

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Primeira mulher a atuar como comerciante em Cuiabá
Casarão onde existiu a Casa Euphrosina, que sofreu incendiado e posteriormente demolido

Resumo histórico do local
No espaço onde abriga atualmente a Praça doutor Alberto Novis existiu o casarão de dona Euphrosina Hugueney de Mattos. Na parte de baixo chegaram a funcionar algumas lojas. O casarão, chamado “Casa Euphrosina”, foi por muito tempo uma loja muito refinada, onde eram vendidos produtos importados. Depois foi sede do jornal “O Social Democrata” e era ainda o local em que Filinto Muller atendia todas as pessoas que o procuravam, quando vinha à Cuiabá. No espaço, também funcionou o Armazém Amui e outros comércios. Em 1970, a casa ficou abandonada e com o passar dos anos começou a ruir, dando surgindo à pracinha. 

A Praça doutor Alberto Novis
O nome desta praça foi dado ao doutor Alberto Novis a partir da Lei 1.315/73, em homenagem aos inúmeros serviços prestados à população. Novis viveu por anos na Rua Voluntários da Pátria em frente a atual Secretaria de Estado de Turismo. Apesar de surdo, foi o primeiro médico otorrinolaringologista com especialização em Mato Grosso, prestando grandes serviços à população cuiabana. Ele também foi o primeiro Deputado do Estado de Mato Grosso (1908 a 1912) e publicou diversos artigos, sendo reconhecido também como jornalista.

Chacina do Beco do Candeeiro
Nos fundos da Igreja Senhor dos Passos existe uma praça que leva o nome de dona Euphrosina: Praça Euphrosina Hugueney de Mattos. Neste local ocorreu um crime bárbaro que até hoje o caso não foi elucidado: "Era noite de 10 de julho de 1998 quando os adolescentes Adileu Santos, Edgar Rodrigues e Reginaldo Dias, respectivamente com 13, 14 e 16 anos, foram assassinados a queima roupa, em Cuiabá. Eles estavam na rua 27 de Dezembro, conhecida como Beco do Candeeiro. Os três foram atingidos por diversos disparos e morreram no local. Porém, até hoje, ninguém foi responsabilizado pelo crime que tornou-se conhecido como a 'chacina do Beco do Candeeiro' e as famílias das vítimas reclamam até hoje da sensação de impunidade." 
No local onde adolescentes foram executados estátua do escultor Jonas Corrêa deixa o registro do caso e denuncia violências contra a juventude vulnerável.

Rodinei Crescêncio

Primeira mulher a atuar como comerciante em Cuiabá
Estátua do escultor Jonas Corrêa deixa o registro do caso e denuncia violências contra a juventude vulnerável

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