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Cuiabá, Novembro de 2019

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Almanaque Cuiabá

O centenário bairro Baú

O centenário bairro Baú

O bairro do Baú formou-se ao longo do córrego que mais tarde veio a se chamar “Prainha”. Desde as proximidades da Igreja São Benedito até as suas nascentes no lugar denominado Chácara dos Padres (atual Consil).

O nome “Baú” originou-se de uma pepita de ouro, em forma de um baú, encontrada pelos bandeirantes às margens da Prainha, a partir daí, todos passaram a chamar o local de Baú, constituindo sobremaneira parte fundamental da história cuiabana. 

Historicamente, o bairro ficou famoso por abrigar a boemia cuiabana, além de ser um lugar onde as tradições e o folclore local sempre foram preservados. 

O bairro Baú teve uma participação constante e essencial na vida de Cuiabá, contando com figuras de destaque tais como: Pedro Meira; Mestre Inácio e sua banda de Santa Cecília; Vicente Padeiro; Zé Bolo Flor; Dª Beleca; Delfino de Matos; João da Cruz Taques; Ana Benedita das Neves, “Shaninha” ama de leite; Antônio dos Santos; Dª Juja; Lurdinha; Leonarda; Jovenilha e muito mais. 

É assim, o encanto deste bairro que não nos deixa esquecer maravilhosos lugares como o Tanque do Baú. Falar deste Tanque é mencionar uma das páginas mais belas da história sócio-cultural e ecológica que Cuiabá já viveu. 

Na verdade, Tanque do Baú, era aquela rara exuberância de outrora, uma enorme lagoa que começou a se formar a partir da segunda metade do século XIX, face ao agravamento da seca nos meses de estiagem. Sua localização exata fica em frente ao atual Centro de Cidadania (antiga Escola José Estevam) no bairro do Baú, onde hoje funciona a empresa Capital Móveis, na Avenida Rubens de Mendonça, bem no começo da rua Desembargador Trigo de Loureiro. 

As suas águas serviram como ponto de reabastecimento para tropas viajeiras que vinham de Serra Acima (Chapada dos Guimarães) e Serra Abaixo (Coxipó do Ouro). Elas faziam paradas às margens do Tanque para descansarem, dormirem, dar banho nos animais e depois seguiam suas viagens abastecendo o comércio cuiabano. Na volta, acontecia da mesma maneira, paravam, ficavam algum tempo à beira da lagoa, refazendo as forças e em seguida colocavam as tropas no estradão. Isto aconteceu durante décadas (1930 a 1970). Nas profundezas das águas do tanque, bem como na superfície, era comum ver algumas espécies de peixes como: Lambaris, Acaris, Piquira, Rapa-Canoa, Muçum, Rubafo, Cambará, Tuvira. Nos finais de semana o local se transformava numa imensa área de lazer: uma piscina natural. Era comum a presença de muitos banhistas vindos de diversas partes de Cuiabá para se refrescarem num delicioso banho. Tudo se transformava numa verdadeira festa aquática. 

Cenário fascinante, encantador, esplendor cuiabano, misterioso, fonte de vida, maravilhoso, lugar de visitação, lazer da gurizada, água deliciosa, exuberante. Assim tratavam o Tanque do Baú. Atualmente, não existe um marco referencial desse sítio tão fascinante que desapareceu para dar lugar a Av. Historiador Rubens de Mendonça (Av. do CPA). 

 

ULISSES CALHAO – Esta publicação do DC é de autoria de Ulisses Calhão, cuja pesquisa teve a participação especial do historiador Waldemir Taques.

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