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Cuiabá, Maio de 2019

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Estêvão de Mendonça e as letras

Estêvão de Mendonça e as letras

Tal seja, no ano de fundação do Instituto Histórico, era Estevão de Mendonça, o grande nome da historiografia mato-grossense. O nosso grande pesquisador, preocupado com o registro dos fatos passados, a preservação documental, incentivador de jornais, de publicações, arauto dos fatos seculares de sua terra natal. E por isso, por suas obras, era sumamente respeitado.

Sem qualquer sombra de duvida, Estevão de Mendonça, em 1919 era considerado o maior historiador de Mato Grosso. Já havia publicado trabalhos importantes como O Estado de Matto Grosso em 1898. Uma Caturrice em 1908, Quadro corográfico de Matto Grosso em 1906; havia também divulgado um sem numero de artigos na revista Matto Grosso, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, almanaque Garnier, o Archivo; havia sido Diretor geral do Arquivo Publico do Estado de Mato Grosso no governo do Presidente Antonio Paes de Barros, onde teve ensejo de dirigir publicação da revista O Archivo; colaborava nos maiores jornais de Mato Grosso; era amigo pessoal de alguns historiadores de renome no cenário da historiografia nacional, como Benjamin Franklin Ramiz, Basílio de Magalhães e Antonio de Toledo Piza; em 1919 estava lançando a sua obra maior, Datas Mato-grossneses.

Tal seja, no ano de fundação do Instituto Histórico, era Estevão de Mendonça, o grande nome da historiografia mato-grossense. O nosso grande pesquisador, preocupado com o registro dos fatos passados, a preservação documental, incentivador de jornais, de publicações, arauto dos fatos seculares de sua terra natal. E por isso, por suas obras, era sumamente respeitado.

Depois dele surgiram os demais. Despontaram no seio da intelectualidade de Mato Grosso os nomes de Virgilio Corrêa Filho, José Barnabé de Mesquita, Antonio Fernandes de Souza e tantos outros que muito contribuíram para erguer, pedra sobre pedra, a sólida base de nossa historiografia regional. Figuras escorreitas, dignas, historiadores de gabarito que evoluíram bastante em seus escritos e nos legaram uma obra de peso. Mas isso após 1919. antes, somente Estevão de Mendonça.

Tanto que, em 22 de agosto de 1919, por indicação de Eurico de Góes, foi ele proposto e eleito sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, num reconhecimento fático pela sua obra já grandiosa e pelo seu papel importante na criação do Instituto Histórico de Mato Grosso. Foi o primeiro mato-grossense a receber esse precioso diploma. Antes dele, outros com vínculos com Mato Grosso foram sócios do IHGB, D.José Antonio dos Reis e D. Carlos Luis d’Amour, mas mato-grossense nato, Estevão de Mendonça foi o primeiro.

A rigor desde 1894, vinha Estevão de Mendonça tentando criar uma instituição de cunho histórico, para agregar historiadores, geógrafos, pesquisadores, literatos, exploradores, indigenistas e viajantes. Nesse ano fundou o Grêmio Visconde de Taunay, tendo sido eleito seu presidente com apenas 25 anos de idade. Durante o governo Totó Paes tentou fundar uma sociedade histórica, e disso deu noticias na revista O Archivo. Não fosse a revolução de 1906 e o assassinato do Presidente do estado, provavelmente o Instituto Histórico tivesse sido fundado ainda na primeira década do século XX.

Em toda as manifestações culturais, associações literárias, teatrais, bibliotecas, estava inserido |Estevão de Mendonça, não só com a sua presença física, mas com a sua honestidade de propósitos, com a sua profunda intelectualidade, e, principalmente, com todos os seus sonhos...

Incentivador maior da cultura e da intelectualidade cuiabana de fins de século XIX e começo do XX, de há muito vinha engendrando o seu Instituto Histórico.

A grande oportunidade apareceu com os festejos do bicentenário de Cuiabá e com a chegada de Eurico de Góes À Mato Grosso. Essa oportunidade única não poderia jamais perder. E todos sabiam disso. Aquela era a hora apropriada. A par das inúmeras gestões que vinham sendo feitas junto à Comissão do Bi-Centenário de Cuiabá.

E o próprio Estevão de Mendonça quem nos conta: Em janeiro de 1919, eu e o Dr. Eurico Góes, fundamos em Cuiabá i Instituto Histórico de Mato Grosso, instalado a 8 de abril desse mesmo ano. Para mim foi a vitória de 20 anos de propaganda.

Não é cabotinismo intelectual nem jactÂncia isolada tentando se apoderar de uma criação coletiva. Em absoluto. Estevão de Mendonça foi o grande mentor do Instituto Histórico, mantendo a chama viva de sua criação, como ele mesmo diz, pelo espaço de 20 anos consecutivos. Duas décadas de amor à historia de sua terra natal, de esforço próprio par estudo, pesquisa, elaboração e publicação de trabalhos. Duas décadas de conversas, de sonhos, de um ideal que nunca se concretizava. Passando por grêmios, associações literárias, bibliotecas, acabou por criar em 1919 o seu Instituo Histórico.

E no ato da própria criação da instituição, foi grande o seu trabalho administrativo. As atas afirmam que o Estatuto Social foi de sua única autoria: Deu em seguida a palavra ao professor Philogônio Corrêa, Secretário da Sessão, a fim de que procedesse à leitura dos estatutos elaboradores pelo relator advogado Estevão de Mendonça. Lidos e aprovados, artigo por artigo, com ligeiras modificações [...].

Autor desse Estatuto, ate hoje em vigor sem qualquer modificação, passou Estevão de Mendonça a ser o idealizador, o criador, a vida e também a própria alma do Instituto.

Realmente, o Instituto Histórico e geográfico de Mato Grosso é criação coletiva de vários, mas sonho antigo e esforço pessoal de um só: o historiador Estevão de Mendonça.

 

Fonte: Paulo Pitaluga

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