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Cuiabá, Julho de 2019

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Djerane

Djerane

Em “Djerane, o astuto” Cesário Prado traça o perfil de um soberano do antigo Oriente.

O cognome do rei é advindo por causa dos atos de seu governo trazerem a marca da sagacidade, astúcia e finura muito mais do que a arte da guerra para o acréscimo dos seus domínios e o prestígio externo de seu reino. As medidas, os atos de governo do rei eram muito mais que generosidade, assim concluíram que Djerane era mais habilidoso que magnânimo, mais astuto que guerreiro. Uma de suas primeiras medidas foi a escolha do conselheiro-mor de seu governo que havia morrido e agora precisava de um substituto. A escolha se daria pela pessoa mais sábia e prudente que houvesse no reino.

De todas as classes o soberano mandou investigar e retirou cinco dos mais famosos da época que deveriam comparecer à presença do rei para se efetivar a escolha. A prova seria aquele que falasse ao soberano com mais sinceridade ganharia o melhor de seus dedos; o primeiro começou por elogiar os anéis do rei, de cores tão vibrantes, rubis, diamantes que era impossível não atentar para a riqueza que a majestade portava.

Comparando as jóias com o mais precioso na Terra começou o primeiro, seguido pelo próximo que as comparou às estrelas do céu, o outro dizendo do rei de Judá e da rainha de Sabá em ter procurado o rei Salomão ao invés de Djerane em sua glória e majestade. O quinto, Saleké que falaria ao rei, observou que em seus dedos só restava um último e menor anel. O soberano perguntou a Saleké a opinião comumente aceite sobre seu reinado, ao que ele respondeu dizendo que sobre a opinião geral não podia falar. Até porque como era costume do rei anterior, pai de Djerane, aquele que falasse a verdade era perseguido pela majestade, mas ele se manifestaria sem a preocupação do olhar alheio.

Sobre a guerra não tinha opinião formada porque o rei ainda não havia enfrentado outros povos; os negócios internos, o tempo de governo era tão pouco que não havia como julgar; se os monarcas ao invés de lutas sangrentas dedicassem todo o ânimo e luzes na solução e necessidades do seu povo para 94 Edição nº 010 - Julho 2011 enriquecer o comércio, prosperar a indústria, instruir as populações, enfim melhorar a vida da população, aí sim a dinastia ganharia fama e glória para a posteridade. Ao dizer isso, Djerane o interrompeu dizendo ser ele o escolhido para ocupar o cargo de conselheiro- -mor do rei, para desgosto dos concorrentes que mesmo assim ainda foram presenteados pelo rei com seus anéis.

Entretanto, no dia seguinte se apresentaram ao rei para fazer uma reclamação, não sobre a escolha do conselheiro, mas sim sobre a falsidade das jóias que ganharam. Nisto foram retrucados pelo rei que aquilo equivaleria aos falsos elogios com que se dirigiram ao soberano, como ele ama aqueles que lhes dizem a verdade, receberam as mesmas moedas usadas

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