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Cuiabá, Julho de 2019

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Antecedentes do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso

Antecedentes do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso

Em Cuiabá, somente a partir de 1904, as revistas O Arquivo e Matto Grosso, deram um espaço editorial mais amplo e efetivo, publicando não só artigos de nossos historiadores regionais, mas, nesta ultima, editada pelo Liceu Salesiano São Gonçalo, tiveram oportunidades poeta e literatos mato-grossenses.

A ausência de revistas especializadas e a falta de patrocínio para edição de livros foram sérios entraves para a divulgação de trabalhos de intelectuais, que ainda em fins do século passado começaram a estudar, pesquisar e a escrever capítulos da historia mato-grossense.

A revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1839 começou a dar guarida a temas regionais, sendo que, essas publicações eram produzidas por autores não mato-grossenses a revista editava também manuscritos inéditos, contendo relatórios de viagens e de explorações elaboradas por autores que se radicaram ou passaram meramente por Mato Grosso, mas de há muito já falecidos. Assim, o espaço editorial proporcionado por esse centenário periódico, era de difícil acesso aos historiadores regional de fins do século XIX. O Barão de Melgaço, francês em Mato-Grosso radicado, teve trabalhos seus publicados nessa revista somente nos anos de 1862, 1865 e 1884, e Estevão de Mendonça veio a ter uma sua compilação histórica publicada no citado periódico, só uma vez em 1894.

Posteriormente, a revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, deu abertura para a publicação de artigos com temática mato-grossense de Joaquim da Costa Siqueira em 1889, Cardoso de Abreu em 1900, Gilbert Blagment em 1905 e Beaurepaire-Rohan em 1915, também privilegiando autores não mato-grossenses. Somente em 1905 abriu espaço para o cuiabano Estevão de Mendonça com o artigo Noticias históricas sobre Cuiabá.

O Almanaque Garnier, dirigido por Ramiz Galvão no Rio de Janeiro, por vezes abriu suas paginas para Estevão de Mendonça. O Almanaque, coordenado pelo ilustre Benjamin Franklin Ramiz Galvão, que chegou a ser Diretor da Biblioteca Nacional, foi dado a prelo de 1903, ate 1910, com exatos 8 anuários.

Em Cuiabá, somente a partir de 1904, as revistas O Arquivo e Matto Grosso, deram um espaço editorial mais amplo e efetivo, publicando não só artigos de nossos historiadores regionais, mas, nesta ultima, editada pelo Liceu Salesiano São Gonçalo, tiveram oportunidades poeta e literatos mato-grossenses.

As duas revistas marcaram época no começo do século. A primeira, eminente histórica dedicada à divulgação de documentos relativos à historia de Mato Grosso e contendo também inéditos de Estevão de Mendonça, Antonio Fernandes de Souza e outros intelectuais cuiabanos. A segunda, editada pelos padres salesianos e Cuiabá, era de caráter mais amplo e genérico, mas sempre abrigando em suas paginas a produção cultural de historiadores, poetas e jornalistas de Cuiabá.

Muito difícil também, à época, a edição de livros acerca de nossa historia, escritos por pesquisadores aqui radicados. Apenas em 1830, foi editado o primeiro livro, mais tarde considerado como bibliografia mato-grossense, pela Tipografia Imperial no Rio de Janeiro, de autoria de Luís d’ Alioncourt, a sua Memória sobre a Viagem do Porto de Santos à cidade de Cuiabá. Tiveram ainda os seus livros editados no Rio de Janeiro e São Paulo, Francisco José de Lacerda e Almeida em 1841, Joaquim Ferreira Mortinho em 1869, Miguel Palermo em 1892 e João Augusto Caldas em 1887. Com Roteiro e Noticia da Expedição da Comissão Alemã em 1887 às Cabeceiras do Xingu, Luís Perrot, foi o primeiro autor a publicar um livro em Cuiabá, editado em 1888 pela Tipografia d’ A Situação, com temática histórico-etnográfica.

A edição dal trabalho, um roteiro da viagem que Luís Perrot fez junto com Karl Von den Steinen, só foi possível graças à sua amizade pessoal e comunhão intelectual que mantinha com a Sra. Maria do Carmo de Mello Rego, esposa do Presidente da Província Francisco Rafael do Mello Rego. A então primeira dama da Província, que deixou excelente produção cultural mato-grossense, comungava com Perrot uma dedicação extremada à etnologia, e resolveu propor a edição de seu trabalho relativo à expedição do cientista alemão referido ao governo de Mato Grosso.

Estevão de Mendonça só deu a prelo o seu Quadro Corográfico de Mato Grosso, em 1905, graças ao patrocínio do Presidente do Estado Antonio Paes de Barros. Totó Paes, sem duvida, foi grande mecenas da intelectualidade cuiabana dos princípios do século XX, patrocinando a edição de alguns trabalhos e ainda da Revista O Archivo. Após sua morte em 1906, os vencedores da revolução que o destronaram da Presidência do Estado, adentrando ao Palácio Alencastro, queimaram pilhas de exemplares de O Archivo que lá se encontravam depositados.

Essa dificuldade em obtenção de oportunidade editorial para a produção intelectual, levou esses historiadores, que afloravam em fins do século XIX, a unir-se em grêmios literários, e em especial, instituições de caráter histórico, onde pudessem editar revistas periódicas, fornecendo assim, esse espaço vital para a publicação de suas pesquisas. O esforço comum, coligado em uma entidade cultural, proporcionaria certamente a oportunidade editorial para todos.

A par disso, a criação de instituições históricas, permitiriam a instalação de bibliotecas especializadas, tanto oriundas de doações governamentais, como por troca com instituições congêneres, ampliando, dessa forma, a obtenção do conhecimento e do saber cientifico, na isolada Cuiabá de fins de século XIX e começo do XX. O arquivo Público o Estado e as bibliotecas constituíam-se nas ultimas e verdadeiras fonte dos pesquisadores e historiadores. Daí as suas pesquisas.

Dentre as inúmeras sociedades e instituições culturais que se fundaram em Mato Grosso nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX, podem ser consideradas precursoras remotas do Instituto Histórico, tão somente duas, o Grêmio Visconde de Taunay e a Sociedade Internacional de Estados Científicos.

 

Fonte: Paulo Pitaluga
 

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